Sobre o site, sobre mim

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Esse post, e possivelmente alguns outros, faz parte de uma tentativa minha de me abrir mais. Pela gestão karmica sei que devo plantar o que irei colher, e como me conectar mais profundamente é algo que desejo. Pra de fato ver o outro preciso também me permitir ser visto.

Acho fácil me isolar e apenas observar. Essa habilidade eu dominei. O único lado bom de ter brigado tanto com a minha irmã quando era criança foi que aprendi a ficar sozinho, aprendi a me entreter, a estar à vontade na minha própria companhia. Depois veio outra fase, a de aprender a conviver com o outro, onde acho que fui de certa forma retardatário. Vejo pelos meus hábitos. Quando novo, eu gostava de desenhar, nadava todo dia, brincava sozinho e adorava ver desenhos e filmes. Tinha uma vida social, claro, convivia bem com os amigos da escola, mas isso tinha um espaço secundário, acho. Eventualmente fui percebendo, bem aos poucos, a importância do outro. Na faculdade a mudança se mostrou mais clara. Mudei da natação pro polo aquático, do desenho pro teatro, comecei a dançar e ter uma vida social muito mais ativa. Sempre estive confortável em grupos, mas nesse período comecei a me destacar, a curtir mais as pessoas mesmo, a prestar mais atenção nelas. Aprendi a fazer concessões pelos outros, que nem tudo seria do meu jeito. O humor sempre me abriu muitas portas, inclusive às novas amizades. Em algum momento comecei a valorizar mais os amigos, e junto com isso veio o medo de os perder.

Vejo como os adultos tem em média muito menos amigos que os jovens. Que muitas vezes as novas amizades não são tão fortes quanto as da infância, e isso me assustou. O tempo não volta e eu deixei de investir nisso quando deveria. Mas em pouco tempo a vida me provou o contrário, que é possível sim fazer novos amigos em qualquer idade. O erro da grande maioria é estagnar, evitar o desconforto de se abrir, não ter paciência pra novidade, em geral por estar satisfeito com o que têm. E quando percebem que o que “têm” ta acabando, ai já é tarde demais, não conseguem sair do próprio castelo que ergueram em torno de si. Criar novos amigos pede um estado de espírito como o de uma criança, aberto, humilde e curioso, com o qual muitos se desacostumam com o tempo.

Mais pra frente vi que sou absolutamente apaixonado pelo Desenvolvimento Pessoal. É assim que chamo essa “área”. Tanto a possibilidade de seguir uma carreira profissional quanto como cobaia. Lendo e estudando o assunto vejo o quanto tenho que trabalhar, e uma das “ferramentas”, ou filosofias, mais interessantes que encontrei foi a Gestão Karmica. Partindo de princípios absolutamente simples e coerentes mostra como conseguir o que se deseja (e evitar o que não se deseja). O segredo é fazer com os outros o que gostaria que fizesse com você. Há infinitos níveis de profundidade, é claro. Mas de forma prática, faça aos outros essencialmente aquilo que quer que lhe aconteça.

Ainda dentro do Desenvolvimento Pessoal fiz, certo dia, uma lista das coisas que mais me interessam, que mais me trazem felicidade. Fiquei surpreso com quanto em comum muitas delas tinham entre si e comecei a agrupar. Outro ponto foi ver como muitas vezes deixava essas atividades ou momentos de lado por besteiras, por puro hábito, um agir no automático.
Uma dessas é ter conversas profundas.

Das melhores memórias que tenho, várias vêm de, ou incluem, momentos de grande conexão com pessoas queridas (e as vezes nem tanto). Defino uma conversa profunda aquela aonde seja tratado um assunto emocional forte a pelo menos um dos participantes da conversa (onde a pessoa se abra, fale coisas difíceis de dizer ou simplesmente significativas, que te permita vê-la como nunca antes você viu), ou um tema que foi (na hora) revolucionário, daqueles que você fica semanas digerindo (filosófico, sobre a vida…), ou ainda que propicie uma conexão maior entre os envolvidos, mesmo que apenas poucas palavras sejam ditas. Há mais opções, sem dúvida, mas essa é a ideia.

Percebi também o quanto a situação influencia a criar o clima, o ambiente, o que se fez antes, se foi numa viagem, acampamento, num transito de 4 horas, após um término de namoro ou virando a noite na casa da avó. Esses são momentos incrivelmente valiosos pra mim, mas outros menos extremos também contam.

Em última instância o recurso mais valioso que temos é o tempo. O dinheiro entra nos Top10, e mesmo numa curta análise vi que não estava empregando bem meus recursos no sentido de maximizar minha felicidade, de otimizar os momentos mais importantes pra mim. Na gestão de empresas aprendemos diversas técnicas que nos ajudam a decidir racionalmente a melhor forma de usar os recursos de uma companhia pra atingir os objetivos (em geral lucro, mas existem outras.. mas essa é outra conversa).
Fiquei espantado com o quão pouco esse conhecimento estava sendo usado na minha vida pessoal. Depois de pensar um pouco mais nos meus objetivos, como buscar ativamente um progresso moral e intelectual, viver boas emoções e outros, ficou evidente que podia com algumas pequenas mudanças melhorar em muito minha qualidade de vida.

A sequência dos pensamentos que temos e as emoções consequentes que sentimos são basicamente o que definem a vida como a percebemos. A frequência, intensidade, qualidade e controle desses pensamentos são as principais variáveis. Existem estímulos internos e externos, pois posso ficar feliz ao lembrar de um beijo ou triste ao pisar na areia quente, mas em última instância mesmo um estimulo externo deve gerar um pensamento e/ou emoção pra me afetar.

Bom, é exatamente disso que trata a Gestão Karmica. Da forma como percebemos o mundo a nossa volta. Dos dois conceitos fundamentais, um é o da Vacuidade, de que tudo em si e por si é neutro de significado. E a forma como percebemos o mundo vem de nós, e não apenas do mundo. E se vem de nós, está de alguma forma sob o nosso controle, e ao nosso alcance para mudá-la a bel prazer. (O segundo conceito fundamental é o das sementes mentais, que basicamente cada ato, pensamento ou palavra dita planta uma semente em você, que crescerá e eclodirá te fazendo ver a realidade por meio dela).

Assim chegamos novamente à justificativa do post. (Existem outras, mas por hora fiquemos com essa apenas). Buscando plantar mais do que desejo colher, e querendo colher mais conversas profundas, que têm como essência a abertura e conexão entre as pessoas, venho me mostrar, me abrir, compartilhar mais de meus pensamentos por meio de alguns textos. Assim aplico um pouco da gestão à minha vida, experimento mais com a karmica, e pratico o ato de fazer e dar a cara a tapa ao invés de ficar criticando quem faz o que não gosto.

É um hábito que quero muito parar, o de criticar e julgar os outros, o que acontece em diversos ambientes, mas pra facilitar vou começar pelo facebook, onde constantemente leio textos e vejo fotos dos outros e penso que é uma idiotice ou algo assim.
Bom, primeiro que na página da pessoa ela posta o que quer, e só vê quem é amigo. Ou seja, é muito mais um indicador de que ou não conheço meus amigos ou estou tão em desarmonia com eles, o fato de sentir um desprezo por parte, mesmo que uma parcela pequena, do que leio.
Assim passei a deletar algumas pessoas, que sinceramente eram apenas conhecidos que por algum motivo adicionei, mas nem eu nem eles atualmente tinham mais motivos pra isso. Outras pessoas só parei se “seguir”, que é uma opção onde nada do que ela posta aparece pra você. Em pouquíssimo tempo minha timeline deu um salto quântico de qualidade, e hoje 99% do que me aparece eu realmente quero ver.

Mas ainda assim, é fácil julgar o outro, e eu via que quanto mais julgava, menos fazia. E essa postura é péssima. É venenosa, é passiva, medrosa. Você gasta tanto tempo falando mal sobre a ação de fulano que quando pensa em fazer algo trava, ficando horas vendo se alguém pode vir a pensar o mesmo de você. É a síndrome do bom aluno, que tem medo de errar, que quer agradar o professor, que não faz nada fora da hora, nada fora do esperado.

Essa barreira pra mim é mais difícil de superar, pois inclui o medo da rejeição, o medo de me expor, de sei la mais o que. Mas por outro lado, é só um post. Nossa, foda-se né.. Essa é a alternância esquizofrênica do pensamento. Ora uma imersão na cabeça de “amigos” imaginários com críticas ferozes e ora a percepção da insignificância disso tudo.

E ai eu lembro que os meus amigos de fato, aqueles cuja opinião realmente me importa, esses não precisam de explicação.

A amizade é mais forte que isso, mesmo que eu postasse a maior imbecilidade do mundo. E pode ter alguém, amigo próximo ou só conhecido, a quem ler isso faça alguma diferença. Nunca se sabe. Só posso controlar o que eu faço, mas não o impacto que isso tem nos outros. Busco, dentro do possível, ser honesto, autêntico e fazer o bem.

Assim, ca estamos. Minha ideia é postar aqui com alguma regularidade. Pensamentos e reflexões, possivelmente sem grande importância pra maioria das pessoas, mas aqui estarão.
;D

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Devaneios – e o que dizem

Já se pegou pensando em algo? Sabe o que isso quer dizer?

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Um dia eu me peguei pensando em meu próprio funeral. Desses devaneios que temos com alguma frequência, eu pelo menos tenho, e sempre achei que fossem completamente aleatórios, as vezes imaginando uma discussão hipotética com o presidente, as vezes decidindo se seria mais legal ter teletransporte ou poder voar (poder voar!). Nesse dia reparei que há um padrão, um correlação entre o conteúdo do devaneio e como estou me sentindo, especificamente quando não estou atento a como estou me sentindo. No caso do funeral percebi que estava carente, me sentindo um pouco solitário, e acho que a função do filme mental era reafirmar que meus amigos se importam comigo. Então nele imaginava várias pessoas, tristes com a minha partida, como se sentiriam e o que diriam, etc. Não é uma sequência de imagens tão estável quanto um filme ou uma memória de um evento, é mais sutil, por isso muitas vezes eu nem percebia que estava pensando nisso, mas esse dia percebi e achei muito curioso.

Em pouco tempo fiquei atento a esse padrão e vi que ele acontecia com algumas emoções. Quando estava com raiva, por exemplo, me visualizava em situações de briga. Podia ser que eu estivesse andando e visse um carro parado errado na calçada, ai me imaginava passando de bicicleta perto demais, o cara saia e vinha pra cima de mim, e curiosamente eu sempre lutava melhor que o Anderson Silva, mas sem exageros. Ou lembrava de qualquer situação, ou criava uma totalmente do nada, idealmente onde eu não tivesse culpa, mas fosse “forçado” a reagir, tipo um assalto e eu ia e lutava com o cara. E bem inconsciente. Diferente de se eu for escrever uma cena de uma peça ou um filme, onde eu vou parar e imaginar cenários e falas ativamente. Nesse caso é como se eu estivesse de espectador da minha própria mente.

Enfim, o interessante foi que desde que notei exatamente como isso acontece, assim que o devaneio começa eu paro e observo como estou me sentindo. Em geral já conheço o tipo de sentimento pelo pensamento, então isso é bem imediato, ai passo a investigar porque estou me sentindo dessa forma exatamente agora. Se for raiva, o que houve? Na maioria das vezes não é um sentimento muito intenso, se fosse eu teria notado sem o devaneio, então levo um tempinho as vezes pra descobrir a causa. Em muitos casos eu realmente me surpreendo. Ai decido se quero fazer algo a respeito ou não. Nos casos que falei, quando me percebi sentindo com raiva um dia vi que não era exatamente raiva, mas só um excesso de energia acumulada, então fui correr na praia. Uma vez eu apenas tinha presenciado uma discussão forte na rua e aquilo tinha me marcado de alguma forma e eu fiquei com essa impressão, essa “energia”, até perceber. No caso de me sentir sozinho, marquei de sair com uns amigos. Outras vezes não fiz nada, só ter percebido já foi suficiente. Em outras fui ver um filme, ler um livro, escrever, trabalhar..

É engraçado como isso ainda acontece, mas com menos frequência e quase sempre eu percebo, e uso como um indicador pra parar e me dar alguma atenção, entender que tem algo rolando em mim e escolher a melhor forma de lidar com isso. As vezes estou triste e quero curtir a tristeza mesmo, só isso. Mas nunca ignorar o sentimento. Quero cada vez mais melhorar minha comunicação com o meu subconsciente.

E você? Já aconteceu algo assim? Como seu subconsciente fala com você?