Pipocas Coloridas

 

Rodrigo – Cara, o que vc ta comendo?
Pedro – Pipoca, quer?
Rodrigo – Colorida?
Pedro – É.
Rodrigo – Porra cara, fala serio, isso deve fazer um mal danado
Pedro – Pq?
Rodrigo – Como assim pq? Isso não é natural pipoca azul, vermelha.. Isso ai é tipo veneno cara, cheio de produtos químicos, joga isso fora.
Pedro – Trouxe da casa do meu pai, é bonzão. Comprei pra aniversário do meu irmão, mas sobrou e eu to comendo, é bem gostoso, quer uma?
R – Aff, isso deve dar câncer.
P – Talvez.. Vc passou protetor hoje?
R – Oi?
P – Protetor solar, vc passou?
R – Não, pq? Não fui na praia.
P – Mas saiu no Sol né? Ficou mais de 30 min nele?
R – Sim, mas..
P – Então, se tá tão preocupado com câncer, devia ter passado protetor. Ta na pia do banheiro, do lado do sabonete.
R – Eu não vou passar protetor pra ir pra faculdade.
P – Ué, e o câncer?
R – Cara, fala serio, isso não têm nada a ver.
P – Tem tudo a ver. Vc disse que não queria a pipoca pois ela deve causar câncer. A luz do Sol é comprovadamente algo que pode causar câncer, e usar protetor diminui o risco.
R – Na boa, so to falando que pipoca colorida não é natural, deve fazer mal.
P – Sim, agradeço a preocupação. Inclusive, retribuo a bondade lembrando onde esta o protetor, assim vc se protege melhor do Sol.
R – Mas o Sol é natural bro, não é que nem essa coisa artificial e verde fosforescente. Se bobiar isso ai brilha no escuro!
P – Será? Imagina que irado, uma pipoca que brilha no escuro?!
Ia ser bem mais fácil encontrar as que caem em baixo do sofá.. Mas ainda assim, vc acha que só pq a luz do Sol é natural ela não faz mal?
R – Deve fazer bem menos mal que essa pipoca radioativa ai. Química pura isso.
P – E essa torta de maçã ai na sua mão, vc acha que é feita de que?
R – Isso aqui é natural meu amigo, como Deus quis, nasceu de uma árvore.
P – Sim, natural, e constituída de um bando de elementos químicos. E a pipoca também é natural, vem do milho. Mas o que tem a ver ser natural com ser saudável?
R – Ué, todo mundo sabe. Coisas naturais são melhores. Todo mundo sabe.
P – Veneno de cobra é natural. Faz bem? Avalanche é natural, lava vulcânica também, carne apodrecida é natural, cheia de bactérias e vermes naturais. Falando nisso, todas as doenças causadas por eles também são naturais. Febre amarela é natural.
R – Ah, para de forçar a barra. To falando que essa pipoca ai é artificial e faz mal.
P – Se é assim sua torta de maçã também é.
R – Fala serio cara, ta viajando, o que é artificial aqui?
P – O mesmo que na minha pipoca.
R – Cara, é uma torta de maçã. Leva farinha, açúcar, manteiga, leite, etc. Só ingredientes naturais. É uma comida normal, existe há sei lá, duzentos anos.
P – Sim, concordo. Mas de que vc acha que é feito o corante da pipoca? De ingredientes espaciais? É tudo natural também, coisas naturais, retiradas da natureza, aquecidas, misturadas, resfriadas e etc. Exatamente como a torta.
R – É, mas a torta eu sei o que aconteceu com ela, eu posso fazer em casa.
P – Ah é, e como é?
R – Ue.. é só.. Porra, não sei tipo, eu não fiz essa, mas todo mundo sabe como é, dá pra ver na internet a receita.
P – Aposto que também consigo na internet a receita de corante de pipoca.
R – Serio, admite que vc não sabe do que ta falando e joga isso fora. Ainda deve ser de milho geneticamente modificado.
P – Bem provável, que nem a sua maçã.
R – Ahn?
P – Sua maçã também é geneticamente modificada, não veio ao mundo assim, não era assim há 10 mil anos atrás.
R – Claro que era, maçã sempre foi maçã, que nem manga e abacaxi. Todo mundo sabe.

P – Ok, vamos lá. Essa maçã não veio ao mundo assim. Ela foi cultivada por milhares de anos. Os homens das cavernas fizeram a seleção de forma inconsciente. Eles viam um bando de maçãs, mas escolhiam as maiores e mais doces, as mais macias, com mais “carne”. Isso por milhares de anos. Assim, essas eles comiam, as sementes caiam e a cada nova safra o ciclo era refeito. As piores frutas ficavam e as melhores eram selecionadas. Só que melhor e pior são simplesmente fenótipos, a forma que o dna da bixinha se mostra. Tem grupos de gens que definem quanta frutose ela vai ter, qual a grossura da casca e etc. E toda planta traz alguma variação genética, uma pequena mutação. Sem saber nossos ancestrais iam escolhendo as mais gostosas ou maiores, com casca mais fina e etc, e bota isso por alguns milhares de anos e temos as frutas de hoje. Por isso que dizemos que elas são domesticadas. Que nem os cachorros. Por um tempo ficamos escolhendo os filhotes de lobos mais mansos e etc e por seleção acabamos tendo o cachorro. A vaca também foi domesticada, então tudo que têm na sua torta de maçã, tudo, é tão não-natural quanto o que têm na minha pipoca. O fato de a torta ter essa receita conhecida há 100, 200 anos que seja, não significa nada, isso é um instante no espaço de tempo em que estamos falando. Toda comida é geneticamente modificada, só que algumas são por seleção, o que leva tempo pra caralho. Sacou?
R – Então vc acha que isso ai não faz mal?
P – Claro que faz, é uma porra duma pipoca verde, cheia de açúcar. Provavelmente o que faz mais mal aqui é a quantidade de açúcar. Mas não to comendo isso pra ficar saudável, se fosse eu comia um brócolis e ia meditar. Essa é a minha indulgência do dia, puro prazer, só isso, junk food mesmo. Mas eu sei disso, to consciente das consequências, e também eu não como essas merdas com frequência, só de vez em quando. Essa aqui só porque sobrou da festa mesmo.

2 meses depois os amigos se reencontram.
Pedro de terno para de falar ao telefone e cumprimenta o amigo.

Rodrigo – Ta bem de vida em bro, fazendo o que aqui na faculdade?
Pedro – Vim apresentar uma palestra sobre empreendedorismo e recrutar gente pra minha empresa. Entramos com a patente da pipoca que brilha no escuro e já assinamos com um fundo de investidores no Japão. Vamos começar os testes semana que vem. Se quiser chega lá, vai ter uma rodada de entrevistas amanhã, o salário é bom, têm vários benefícios.. Aqui uma amostra, quer provar?
Rodrigo – Lógico, que irado cara, saquinho maneiro, e brilha mesmo, que foda!! Até que é gostosa, mandou bem!!
Pedro – Valeu! To meio atrasado, mas a gente se fala então!
Rodrigo – Falou Pedro, até mais!

Rodrigo senta no banco pra comer a pipoca e chega um amigo.
Leo – Putz cara, que isso, pipoca colorida? Joga essa porra fora, isso deve fazer mal, não é natural…

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“Um Texto por Pessoa”, desafio da Monalisa – Pipocas Coloridas.
Quis experimentar esse formato, meio roteiro, diálogos. Acho que devia ter colocados marcas, tipo rubricas do narrador, mas por enquanto vai assim mesmo..  ;D

Foto de Escrevinhanças.
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Ambição

Como muitas coisas das quais tenho falado, acho que a ambição em si e por si é neutra. Fazemos dela o que queremos de acordo com o momento, ora demais, ora de menos.
Crescemos numa sociedade imersa num caldo cultural com grandes doses da culpa cristã. Nesse caldo, ambição é um tempero que não pode ir desacompanhado. Quem exagera então corre sérios riscos de egoísmo, materialismo, stress e pode causar até solidão. É recomendado usar junto com princípios fortes, moral, respeito ao próximo e um pouco de bom senso nunca é demais.

A ambição me move de várias formas. Ser capaz de visualizar um futuro no qual eu falo francês por exemplo me faz querer isso, e esse desejo me motiva a praticar, fazer aulas e percorrer o caminho ao fim do qual minha imaginação tornou-se realidade. Se não houvesse de fato ambição nenhuma, se eu estivesse satisfeito com tudo o tempo todo e realmente em paz, bem, ai eu não faria nada. Acabou. A ambição nasce daquilo que fundamentalmente nos separa dos outros animais. Nossa imaginação. É necessário ao progresso humano.

Quando ela aparece em exagero é extremamente prejudicial. A clássica visão do avarento, de alguém que se perdeu e deseja dinheiros e riquezas acima de tudo. Você pode ser ambicioso intelectualmente, ávido por aprender mais e estudar, ou mesmo espiritualmente, desejando ajudar o próximo, uma conexão maior e etc. Isso significa que você é movido pelo futuro que consegue vislumbrar. O perigo é quando vive apenas esse futuro, foca nele com tanta intensidade que esquece ou se torna incapaz de estar no presente. Ou quando maquiavelicamente age de forma imoral buscando o ambicionado fim. Mas sem algum nível de descontentamento com o estado atual não nos moveríamos, se todos estivessem satisfeitos iríamos estagnar.

É possível estar satisfeito com o que se tem e ainda assim desejar melhorar, ou pelo menos mudar. Ambição não depende de uma insatisfação ou infelicidade atual. Estou satisfeito com minha capacidade de comunicação, ela cumpre suas funções, mas também desejo melhorar.
Apreciar o que se tem e ainda assim buscar um progresso, seja ele moral, intelectual ou mesmo material é possível e mesmo desejável. O que contra-balança a ambição é a perspectiva. Quando coloco meus desejos frente ao quadro maior das coisas vejo se estou exagerando ou não. Realmente, passar nesse concurso é importante, e pra isso devo estudar, mas minha avó está doente e eu vou visitá-la. Ouvir seus problemas, conversar horas a fio, sim. Crescemos com os desafios, os obstáculos. Há sempre uma 3a alternativa, que em geral requer uma nova forma de se olhar o problema. Cada obstáculo traz em si a semente da solução, basta procurar.

Dito isso, é real que muitos se permitem levar pela ambição, tornando-se escravos dela e agindo de formas lamentáveis. Pra mim é que faltam os outros ingredientes. O respeito ao próximo, os valores, o fazer o certo. E a ordem faz toda a diferença.
Se a ambição está demais na sua vida busque se concentrar mais nos outros, desenvolver mais perspectiva, leia umas biografias (são boas pois têm-se a vida inteira de alguém), gaste um tempo apreciando e agradecendo o que já têm. Esse exercício é recomendado a todos na verdade. Todo dia, reconhecer algo pelo qual é grato. Não quer dizer virar um hippie que abraça árvores e diz “gratidão” a cada 2 minutos, mas é um hábito extremamente saudável.
Refletir sobre seus atos, se permitir tempo para compreender o que te move, porque deseja isso ou aquilo e como isso se encaixa num plano maior. O dinheiro por exemplo é apenas um meio. Ninguém quer dinheiro, que apenas o que ele significa, o que ele pode comprar. O que de fato você está buscando? Onde mais pode conseguir isso?

Eu ambiciono viajar mais, aprender outras línguas, dar aulas, ter mais sucesso profissional, ter mais amigos e aprofundar minhas amizades, ajudar mais pessoas, dançar melhor, rir mais, atuar, criar… São diversas ambições, diversos coisas que motivam a me mexer, a ler, a solucionar problemas. No fundo quero mais prazer, felicidade, bons momentos, variedade, um senso de conexão com os outros, de pertencimento a algo maior, de que contribuí e que tenho valor.
E você, o que te move?

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“Um Texto por Pessoa” desafio do meu amigo João Pedro – Ambição.

Foto de Escrevinhanças.

Acrobacia, humor/artes cênicas, dança e tudo isso junto e misturado no seu jogo de capoeira

Tenho pensado sobre os ciclos atualmente. Um período onde nos dedicamos a algo, com condições ideias ou suficientes, e como perdemos oportunidades também.
Um ciclo muito claro que eu tive foi com o teatro. Era basicamente alheio a esse universo até entrar na faculdade. A primeira vez que subi num palco foi com 19 anos num workshop de improviso. Me senti completamente à vontade, e teve início um ciclo muito intenso e incrível pra mim. Nos próximos anos eu entrei em escolas de teatro, fiz apresentações, festivais, participação em programas de TV, várias oficinas, li livros, e cheguei a montar um espetáculo. Passei a ir mais no teatro, ter um olhar mais crítico, ter referências e sinto que esse ciclo fechou bonito, com a minha saída do grupo. Não abandonei o teatro, foi natural, além de sair da peça que fazia, meus horários não estavam mais batendo com as aulas de teatro e quando vi estava fora. O ciclo fechou naturalmente, suavemente. Sinto que aproveitei bem, que me dediquei ao máximo, que absorvi muita coisa, fiz amigos e vivi a teoria e a prática. O ciclo foi completo nesse sentido, e tenho certeza e quero que outro se inicie em breve. Não volto do mesmo lugar, começarei com outra experiência, outra perspectiva, de outro ponto. Nesse caso é mais uma espiral: você volta ao mesmo ponto, mas em outro lugar.

O ciclo da dança também foi curioso. Veio quando o das lutas terminou. Desde pequeno sou fascinado pelas artes marciais. Ia em museus e só queria ver as armaduras e cenas de batalhas. Fiz Judô e Karatê quando pequeno, mas lembro mesmo do Aikidô e Kung-Fú. Esses eu treinei mais, e em algum momento comecei a devanear cenários onde testaria minhas habilidades. Nunca fui violento, mas era natural pensar isso quando uma situação poderia de alguma forma terminar em briga. Achei que com esses pensamentos ia acabar atraindo alguma briga, e resolvi parar. Busquei outro foco, e foi quando caí na dança (e no polo aquático). Tinha um projeto de aulas de dança de salão na hora do almoço na faculdade e eu entrei. Curti, acabei virando bolsista de uma academia. Outro ciclo intenso e muito divertido. Aprendi muito também, mas como o conhecimento inicial era nada, isso não significa que eu saiba dançar. Mas no forró ainda consigo dar uma enganada. Nesse ciclo eu dei mole. Devia ter aproveitado mais as aulas de samba. Era a hora certa, mas isso eu só percebi depois. Tinha amigos e amigas pra praticar, professores disponíveis pra tirar dúvidas, bailes e festas pra dançar toda semana.. A janela de oportunidade passou e eu aproveitei menos do que poderia. Hoje quero retomar, como o aluno repetente que não estudou quando devia. Mas na época era fácil achar que tudo estaria disponível pra sempre. É lógico que as possibilidades ainda existem, mas aproveitar o embalo é mais inteligente e certamente eficaz.
Esse ciclo se fechou com a minha saída da academia, deixando de ser bolsista e passando a dançar só de vez em quando. Minha vontade é seguir pra dança contemporânea ou outras formas de expressão, mais ainda não chegou o momento.

Nessa jornada corporal acabei indo pro circo. Fiz alguns meses de aulas de acrobacia de solo (como já falei mais em outros textos). Outro ciclo legal, amigos, viagens, estrelas, rondadas, flic flacs e mortais. Terminou com o espaço fechando e eu mais uma vez órfão de uma prática que me desse tesão. Mas como em todos os casos, perto do fim desse eu já estava namorando a próxima. O fim e o começo nunca são tão bem demarcados assim, uma coisa vai migrando pra outra. Tinha essa capoeira que alguns amigos faziam, eu tinha feito quando era criança e comecei a pensar em voltar. Mal ou bem a capoeira é um pouco de luta, um pouco de dança, têm floreios e movimentos mais artísticos também, e pode ser jogo, luta e brincadeira. Em pouco tempo o espaço onde esse grupo treinava fechou e ele se mudou pra minha rua, do lado da minha casa. Timing ideal, um novo ciclo começou e estou adorando viver cada momento. Tenho percebido minha evolução na técnica, além da sorte de poder treinar com pessoas tão alto astral. Um ciclo se emenda no próximo e só olhando depois é que da pra ver como houveram momentos distintos. Em cada ciclo há aprendizados que se carregam ao próximo, e cada um está também em sincronia com outros eventos na minha vida, cada um é representativo à sua maneira.

Hoje tento ser mais consciente e aproveitar melhor as janelas de oportunidades de cada um. Que dor de cotovelo ao olhar pra trás e ver o quanto desperdicei de boas oportunidades, momentos únicos. Não só de aprender uma técnica ou me desenvolver nisso ou naquilo, mas de me relacionar com as pessoas à minha volta de forma mais profunda, mais completa. É como num video-game, treinamos e coletamos numa fase aquilo que vamos precisar na próxima.

Na capoeira tenho posto em prática o que trago da dança e acrobacia diretamente no jogo, na movimentação na roda e na troca como outro, mas também o espírito do improviso. Na predisposição ao desconhecido, no humor na relação com os amigos e mesmo durante o jogo, há espaço pra brincadeira e até um ar cênico. A capoeira tem a negaça, o enganar, a malandragem, e isso pra mim é pura encenação, é teatro com um quê de deboche e atitude, tudo o que conheço do improviso e outros tipos de jogos de cena. Não se faz teatro sozinho. O mesmo vale pra dança, pra capoeira. Há a troca com o outro, a relação com ele e o que você traz pra essa dinâmica, que energia vai e vem, o que você joga, como recebe o que o outro dá e como isso vai fluindo.

Vejo ciclos como momentos onde a atenção está mais focada numa atividade, num tema. Uma amiga me chamava de obcecadinho. Recebo como um elogio. Gosto de mergulhar num assunto, seguir minha curiosidade e ver até onde vai a toca do coelho. Se algo te interessa esse é o momento de cair dentro. Afinal, como dizia o coelho à menina Alice “é tarde, é tarde, temos que correr!”

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“Um Texto por Pessoa”, desafio do Rodrigo Cavassoni, vulgo Graveto. (Acrobacia, humor/artes cênicas, dança e tudo isso junto e misturado no seu jogo de capoeira).
Escrevendo esses temas vejo o quanto quero desenvolver melhor e com calma diversos pontos em que apenas toco aqui. Mais pra frente, sem dúvidas. Acho que ciclo das escrevinhanças está apenas começando.

Foto de Escrevinhanças.

Obsolescência dos Mouse Pads

Vi certa vez um documentário sobre obsolescência programada. Como eletrodomésticos e lâmpadas poderiam durar mais, mas são conscientemente produzidos de forma a quebrar após um determinado tempo, fomentando assim um consumo continuado que aquece a economia e mantém a roda girando.

No caso dos Mouse Pads acho que a teoria da conspiração é mais leviana. Ele pura e simplesmente viraram obsoletos. O motivo da sua existência era garantir a superfície ideal para a rolagem da bolinha que controla o cursor do mouse. Com o mouse óptico, o Mouse Pad vai perdendo seu valor, sua necessidade, e vira mais um item na lista “cedo demais pra ser vintage, tarde demais pra ser útil”.

Por um lado é triste ver a morte prematura desse produto com tanto potencial. O mouse pad, aquele tapetinho de yoga do seu mouse, dos mais simples que vinham de brinde aos mais rebuscados, com apoio pra mão acolchoado e outros gueri-gueris. Acho curioso como uma pequena necessidade pode gerar tantas mudanças. No inicio era apenas uma forma mais intuitiva de interagir com o software. A solução aparece, e depende de uma pequena esfera que gira sensores com referências nos eixos horizontal e vertical, resultando em tudo que se pode fazer num plano de duas dimensões. Mas a esfera trava se a superfície não for homogênea e com a aderência certa. Daí nasce toda uma indústria, ou pelo menos um nicho, que provavelmente sustentou famílias e empresas por um bom tempo. Designers vieram com novidades, desenhos, fotos, formatos, materiais diferentes. Um universo novo a ser explorado, tudo na aba de um movimento que popularizou o computador pessoal.

A era de ouro dos mouse pads teve seu ápice, mas logo sua morte foi anunciada. Uma novidade, o futuro chegara cedo demais. O sensor óptico era mais eficiente e um pouco mais caro, mas nada que uma produção em escala não viesse a resolver. Não adiantava gritar, chorar nem espernear. Alguns tentaram ignorar o óbvio, se iludir pensando que o mercado continuaria a existir, mas realidade é que o fim estava próximo. Sem a função principal que depende da fragilidade da bolinha, o mouse pad deixa de ter sentido. Sua estética era um a mais, não o core, e pode ser encontrada em outros produtos. Eu uso uma revista pra apoiar o mouse no momento. Mouse pads ainda são vendidos, sim, mas o mercado é hoje uma sombra do que já foi.

Talvez tenhamos aqui uma boa lição sobre a mudança. Tudo muda, tudo. Diz-se ser a mudança a única constante do universo. O cientista é aquele que busca encontrar a verdade a partir dos fatos, da observação da realidade. Um olhar mais atento ao trajeto dos mouse pads na nossa sociedade e grandes insights podem ser aprendidos. Nada é pra sempre. Pequenas mudanças geram grandes consequências. A inovação cobra seu preço e as vezes menos é mais. A morte ou fim se anunciam aos que estão atentos aos sinais, e há sempre tempo de se reorganizar. Soluções simples oferecem grandes oportunidades. A não aceitação da realidade nunca é uma boa escolha. Mesmo com um bolo diminuindo ainda existem fatias a se retirar. E tantas outras.
Se tudo está conectado, so há de fato uma coisa a se compreender.

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A Obsolescência dos mouse pads, desafio do Pedro Cunha.
“Um Texto por Pessoa”.
A foto é de um site com as 100 melhores fotos sem photoshop, e achei que de alguma forma encaixava no tema. ;D

Foto de Escrevinhanças.

Sobre o medo

Há quem acredite que o oposto do medo é coragem. O oposto de coragem é covardia. Medo é outra coisa. Ser corajoso é fazer aquilo de que se tem medo. Mas não significa não o ter. Ser covarde é sucumbir a ele.
O medo é natural e neutro, como tudo mais. Nem bom nem ruim. Mas pode ser mal utilizado, e quando se peca pelo excesso ou pela falta se paga o preço, e em geral a moeda é o sofrimento.
O medo é um sinal do seu corpo pra ficar atento. “Se liga, tem um cobra ali”, “Opa, fogo perto demais, vai queimar”, etc.
Talvez eu esteja confundindo medo com receio, ou um seja o outro intensificado. Fato é que há uma forma de conviver bem com ele. Em geral pecamos pelo excesso. Mark Twain disse “Eu tive muitas preocupações na minha vida. Muitas das quais nunca aconteceram.” Vivemos em nossas mentes, e se nessa morada habita o medo, que gera ansiedade, stress e toda uma sorte de emoções, sua vida se torna intragável. Já me disseram que o oposto do medo é amor. Pode ser um pouco piegas, mas acho que é por ai mesmo.

Não me considero uma pessoa particularmente medrosa. Frente a média, sei que tenho poucos dos medos clássicos. Nunca me incomodei com falar em público, altura apenas me atrai, me divirto demais com turbulência num vôo e me sinto confortável frente ao desconhecido. As vezes apreensivo, sim, mas raramente com medo mesmo. Se vejo uma cobra ou aranha tenho um medo saudável, mas se sei que não são venenosas fico tranquilo.

A maior mudança na minha relação com o medo veio como resultado da gestão karmica.
A partir do momento em que entendi que eu crio a minha realidade, que minhas ações, pensamentos e palavras geram tudo que vêm a mim, minha relação com o medo mudou radicalmente. Sei que se agi agressivamente no passado irei colher isso. E sei que tenho feito um grande esforço pra retirar isso da minha vida. Evitar todo tipo de agressão, todo tipo de violência. Ainda estou longe de conseguir, mas onde estou me permite crer que não serei vitima de nada grave. Eu colho o que planto. Se plantei vou colher, e se não, não. Respeito muito as coisas dos outros, assim não espero que nada me seja tomado contra minha vontade. Ando nas ruas à noite falando no celular sem stress, vou a qualquer lugar despreocupadamente e nem considero ser assaltado ou algo assim. Pode acontecer? Lógico, e também não chego ao ponto de ser imprudente, mas o que pra mim é bom senso pra outro pode ser um absurdo, tudo é relativo. E entendo perfeitamente que minha postura pode não servir aos outros. Eu optei por nunca pagar flanelinhas, e paro o carro em qualquer lugar assim, mas entendo os riscos e as consequências dos meus atos. Até hoje nada aconteceu, mas se algum dia acontecer vou lidar com o que for.

O medo é saudável como sinal. Se tenho medo de não ser bom o suficiente no meu emprego devo me mexer. Se o medo me levou a ter esse pensamento ele foi positivo até ai. A partir do momento que começo a fazer cursos, buscar me aprimorar e me dedico mais, o medo deve sumir ou se transformar num neutro ponto de atenção. O Santos Dumont é o pior aeroporto pra se pousar segundo os pilotos. A pista é pequena e cercada pelo mar. No entanto, a taxa de acidentes dele é a menor.
O perigo é quando o medo toma conta, corre solto e te impede de viver a vida que deseja. Pior ainda é o medo irracional. Como famílias que pegam aviões separados com medo de uma queda, mas ao chegarem no aeroporto dividem a mesma van pra casa na praia. Estatisticamente as chances de um acidente fatal de van são muito maiores que no avião, e essa familia agiu em cima de um medo irracionalmente.

Devemos cuidar do que consumimos, de tudo que entra no nosso corpo. Em termos de alimentos estamos bem servidos, o volume e a qualidade das informações e especialistas sobre o tema é mais do que suficiente. Em termos de informações e notícias, nem tanto. Muitas pessoas consomem o equivalente a junk food, e em alguns casos venenos mesmo, com o que lêem e assistem. A desgraça vende, e onde a demanda há oferta. Há uma necessidade de se manter informado, e sei que nesse caso estou fora da curva no meu desinteresse, mas assim como com o corpo, acho incrivelmente importante pesar o que estamos consumindo, qual a fonte e porque? E tal qual o corpo, há um feedback evidente. Se estou engordando ou emagrecendo posso rever minha alimentação. O mesmo vale pro intelecto. No que tenho pensado, com o que tenho me preocupado?

Seu cérebro é como um castelo, uma mansão riquíssima e você recebe quem quiser. O que os hóspedes produzem é seu. Se receber artistas, pintores, cientistas e comediantes você fica com tudo o que fizerem. Mas o mesmo vale pra receber ladrões, degenerados e pedófilos. Se destruírem a casa você paga a reforma ou fica com ela quebrada, mas se melhorarem tudo o lucro é todo seu. E há um custo de oportunidade. Alguns hóspedes não se dão bem com outros, e receber um significa expulsar outros. Os hóspedes são pensamentos, crenças, e o resultado em geral é seu estado de espírito num curto prazo, suas ações e comportamentos e até hábitos no longo. Quem tem morado sem pagar aluguel ai dentro? Quem você gostaria de receber mais vezes?

Atualmente minha dieta mental vêm de algumas fontes: Podcasts – criei o hábito de ouvir alguns. Recomendo o “The Tim Ferriss Show”; “Waking Up – Sam Harris”, “Hardcore History – Dan Carlin”, “Michael Sandel: Public Philosopher”. São meus favoritos. Palestras: Assisto algumas por semana. No TED encontro sempre uma boa variedade, mas busco também por fora, por autor ou por tema (youtube e vimeo). Ver uns 3 TED por semana já é um hábito. Livros: aqui a lista é longa, mas é outro hábito saudável, ler todo dia, nem que seja só um capítulo do livro. Pra artigos leio o site “Big Think” e sigo alguns blogs, como o “Tynan” e o “mundo das marcas”.
Fora isso adoro ter conversas profundas e evito fofocas ou reclamar. Fiz um desafio uma vez de ficar 30 dias sem reclamar. Tenho tentado manter isso como padrão. Uma coisa é ressaltar um problema, como o mal atendimento de um lugar, visando entender sua causa e pelo menos pensar uma solução. Outra é xingar mentalmente a moça do caixa e ficar por isso mesmo.
São mudanças pequenas, mas tenho percebido uma diferença considerável no meu estado de espírito em geral.

Acho que divaguei, mas é isso que penso sobre o medo. Ele pode ser útil, devemos prestar atenção à sua mensagem e tomar alguma atitude. E pronto, a partir dai ele não mais deve te incomodar. Se está tendo mais dele do que gostaria, reveja seus hábitos. O que consome? O que lê, quando e quanto, sobre o que fala, sobre o que pensa?
Se é coragem que quer, comece com pouco. Pequenos atos, sair um pouquinho da zona de conforto, correr riscos controlados. Com o tempo você vai ganhando confiança, sabe como é enfrentar um medo e isso vai virando cada vez mais comum.

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Desafio “Um Texto por Pessoa”, A Steffi pediu pra eu falar sobre o medo. Acho que divaguei e não segui a melhor linha de raciocínio, mas tenho buscado escrever sem editar aqui. É parte do exercício, e sei que têm muito a ser polido e reescrito, mas por enquanto essa versão mais crua é o que ofereço. Até porque um medo meu é o de ser julgado como mal escritor por exemplo. Assim o natural seria evitar postar textos, com medo das críticas, mas decidi passar por cima dele e me mostrar com os defeitos e falhas que tenho. Por enquanto é assim que eu escrevo. Espero melhorar.

A foto foi no festival Rock the Mountain, em Itaipava. O medo de saltar de cabeça foi delicioso de curtir.

Foto de Escrevinhanças.

A Seita

O que é a seita? É uma organização, uma comunidade, um grupo seleto de pessoas que seguem regras mais seletas ainda. Um homem pra entrar na seita segue seus mandamentos. Veste o que mandarem, faz o que for necessário. Há o período de sondar, de flertar, onde o homem é avaliado como potencial integrante da seita. Se aprovado, há momento do convite, que é solene, discreto porém grandioso. O homem se sente honrado, e recebe a senha e o local do rito de passagem. Finalmente reconheceram seu potencial, o destacaram da multidão. Ele aceita, se pensa mais importante, e anseia ser visto como um igual. A iniciação é tensa, perigosa, reforça a ideia de que cada membro merece estar lá. O homem faz suas juras, arrisca sua vida, provas de fogo, testes de habilidade e força. Horas intermináveis, esforços hercúleos, suar, medo, ansiedade e finalmente um pacto de sangue selando o fim, o novo início. Ele agora pertence à seita. Aceita suas regras, seus rituais, suas verdades. A seita cresce, assim, pouco a pouco. Se cresce demais outra nasce em seu seio. Uma seita dentro da outra, dentro da outra, dentro da outra…

“Eu não gostaria de pertencer a nenhum clube que aceitassem pessoas como eu como um membro” – Grouch Marx.
É natural querer pertencer a grupos. Evoluímos assim. Há milhares de anos os que não tinham essa necessidade provavelmente foram viver sozinhos e acabaram devorados por leões ou Tigres Dente de Sabre. Esses não viveram pra passar seus gens adiante. Quem tinha medo de ser excluído da sua tribo fazia por merecer sua permanência, e eram recompensados pela proteção, vida social e privilégios. Com o tempo evoluímos, criamos grupos cada vez maiores. Tribos viraram comunidades, que viraram sociedades, aldeias viraram vilas, que viraram cidades, que viraram metrópoles e os grupos aos quais pertencemos só cresceu. Com isso nasceu a necessidade de grupos dentro de grupos. Quão menor, mais exclusivo, mais importante. Quanto mais importante é um grupo, mais importante são seus membros. Ou é o contrário?

É curioso até onde vamos para sermos aceitos. O peso do social, da expectativa, o medo de ser excluído, de ficar de fora. O efeito “macaco de imitação” existe e por bom motivo. Ele funcionou em nos manter vivos por milênios. Hoje em dia não temos mais os riscos de vida da savana africana. Temos um software moderno num hardware antiquado. Nossos corpos estão preparados pra um estilo de vida de 10 mil anos atrás, a evolução é lenta demais. Por isso você gosta de gordura, tem medo de avião e quer trair a sua esposa. Os instintos que o mantiveram vivo ainda não foram atualizados para o mundo moderno.

Um deles, e um bem forte, é o do pertencimento. Isso que justifica adultos racionais, pais de famílias e homens inteligentes que se submetem a rituais ridículos, usando fantasias e respeitando regras aleatórias. Tratando com respeito rotinas absolutamente sem sentido, simplesmente pois ali todos fazem assim.
Mas seitas têm uma forma peculiar de preservação, que faz com que até hoje coisas sem razão sejam feitas. Na maioria dos ambientes temos a predominância da razão. Se eu faço algo de uma forma obtusa, outros apontam minhas falhas e a mudança se faz necessária. Não numa seita, ali os comportamentos são repetidos, respeitados, pois pra pertencer à seita deve-se estar no padrão.

Na história acima pouco muda se eu disser que o homem na verdade é um menino, que a seita é o grupinho dos seus amigos do colégio, que as provas de vidas constituem pular de um sofá pro outro sem pisar no tapete e que o pacto de sangue foi feito com ketchup. A intensidade é outra, claro, mas a essência é a mesma. Um garoto querendo ser aceito, fazendo coisas pois os outros definiram que é legal.
Quantas coisas não fazemos pra pertencermos às nossas seitas. Colocamos um casaco, calça e camisa de manga comprida em pleno verão, pois todo mundo faz isso. Chamamos ele de terno. Ao conhecermos alguém seguramos a sua mão e balançamos um pouquinho. Se for mulher você encosta a bochecha na dela e faz barulho de beijo. Algumas seitas exigem um beijo apenas, outras dois. Seitas muito distantes pedem que você apenas se abaixe, sem tocar. Se vestir é importante pras seitas. Tem fantasia pra tudo, até pra dormir. Sair com roupa de dormir na rua, só se você for da seita que se curva ao invés de apertar a mão. Se gostamos de algo, batemos uma mão na outra repetidas vezes. Fazer isso de pé significa mais que sentado. Se vamos embora, é só balançar a mão aberta, e as pessoas fazem isso de volta. Porque? Porque fazemos assim e não diferente?

Em diversos ambientes da nossa vida podemos nos dizer racionais. Temos bons motivos por exemplo para escovar os dentes, ou cozinhar alimentos antes de comer, ou aprender a ler e escrever. Mas tantos outros sobrevivem apenas pois queremos pertencer. Queremos ser da seita. Toda seita é um clube de vantagens. Algumas te oferecem bons contatos, oportunidades de emprego, convites VIP pra festas e eventos. Outras oferecem histórias, acesso à servidores mágicos e prêmios infinitos, em geral após a morte. Deve-se apenas pagar o dízimo.

Queremos as vantagens de ser do grupo, de estar por dentro. Queremos tratamento especial. Mas pra tudo se paga o preço. Qual o preço da sua seita. Você aceita?

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“Um Texto por Pessoa”, desafio do André Dale – A Seita.
Achei esse difícil de escrever, truncado, mas no final optei por postar mesmo assim. Afinal, pra isso servem desafios né..

Dobras

Nossas vidas são incrivelmente influenciadas pelas dobras.
O homem anda na rua, e se esquecesse de dobrar a esquina, não encontraria a mulher, cujas dobras o fez se apaixonar. Ele dobrou à esquina, que só existia pois um arquiteto ao planejar o bairro dobrou a esquina, aquela esquina, na sua planta baixa. Um dobra a esquina, para que outros dobrem à esquina.
Ele tira um papel do bolso, coloca seu nome e telefone, dobra e entrega na mão dela. Um momento de tensão, aliviado em muito pela pequena dobra no fim dos lábios da moça, representando um tímido sorriso, tudo que ele precisava. Ela responde ao ato com um chamado, e ele se desdobra todo, consegue sair mais cedo do trabalho e vão se encontrar. Tudo corre bem, os dias passam e o casal se descobre apaixonado. Ele pensa nas dobras dela, sonha com ela e ela nas dele. “Será que essa dobrinha na barriga não está grande demais? Melhor cortar os doces por um tempo.”
Mas a dobra cresce. Dentro havia uma única célula, que em pouco tempo dobra, e agora são duas. Mais algumas dobras e temos um feto, que dobra de tamanho, de peso e de complexidade. A dobra da barriga cresce, junto com a felicidade do casal ante a perspectiva da paternidade. O salário parece curto com as novas despesas, e o jovem dobra sua jornada no trabalho sempre que possível. Em pouco tempo o neném nasce, tão fofo que todos se dobram à sua vontade, e a vida segue seu rumo.

Algumas dobras no papel e criamos um origami, algumas dobras no nosso caminho e chegamos em casa. O instante certo de dobrar a linha feita pelo pincel define a diferença entre a obra de arte e um rascunho sem valor. Se a linha que é hoje a boca da Mona Lisa dobrasse um pouquinho antes o enigmático sorriso poderia ser nada mais que a decoração de um hotel 3 estrelas num vilarejo na Itália.
Existe a tal dobra no espaço-tempo foi o que rendeu ao Einstein o prêmio nobel, e colocou pra sempre seu nome como sinônimo de gênio. Ele previu que a gravidade “dobrava” essa coisa que é o espaço-tempo e por isso a luz de uma estrela sofreria uma pequena curva ao passar perto de um astro de grande massa, como o Sol. Numa eclipse o fenômeno foi testado e a dobra comprovada. Essa dobra permite todas as outras.

Toda dobra é importante à sua medida, do seu jeito e da sua forma. Linhas retas não se dobram, mas se encontram no infinito. Quem sabe lá um dia nos encontraremos também.

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“Um Texto por Pessoa”, tema “Dobras”, da Maria Clara. A pessoa com as dobras mais lindas que eu já vi!