Alain de Botton

Tenho curtido muito assistir videos do “The School of Life”, uma organização criada pelo Alain, com um canal no youtube com videos curtos, reflexões interessantíssimas sobre variados assuntos – amor, trabalho, história das coisas..
Alain de Botton é, pra mim, um dos maiores filósofos vivos, e a forma com a qual ele fala desses assuntos é maravilhosa. Alguns já o chamaram de ‘Filósofo do dia-a-dia’, mas acho que no fundo esse é o tipo de filosofia mais importante, a que reflete sobre como viver, como nos relacionar, compreender de onde vêm nossas crenças e hábitos. Ele fala sobre ansiedade, suicídio, traição, confiança, amor, sexo oral, Marcel Proust, Platão, o medo de ser ruim de cama, como superar uma rejeição, os prazeres de discordar, Heidegger, como ser um bom ouvinte, amizade e vulnerabilidade, a história do fracasso, pra que serve a arte, e assim por diante. Sim, são todos exemplos reais de videos. Todos com animações bem bacanas e a maioria narrados por ele mesmo. O School of Life reúne autores diferentes e publica livros, promove palestras e eventos e me parece ser uma organização bem interessante.
O Alain fez 2 palestras no TED, ambas válidas de se assistir. Ele me inspira a refletir sobre variados assuntos. Gosto de como ele argumenta e dos pontos que faz, mesmo que de vez em quando discorde ou prefira seguir outro caminho. Acho que ele tem uma forma de falar as vezes poética e ainda assim bem precisa, e faz críticas e sugere soluções com elegância. Pretendo ler alguns dos seus livros e acompanhar mais do seu trabalho.

Aqui um video que achei bacana, e bem curto:

Peter Sunde

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Peter Sunde é a mais nova pessoa que me inspira. Criou o Pirate Bay com mais 2 amigos. Assisti algumas palestras dele no youtube, li alguns artigos e tenho achado ele uma figura interessantíssima. Ele me inspirou a não só acreditar mais e tocar cada projeto meu, a chance é que alguns deem certo e outros “falhem”, mas a valorizar o humor, o fazer algo porque acho engraçado, dar esse toque nas coisas. Incrivelmente disruptivo, criativo e revolucionário. Ele começou um monte de coisas, algumas deram certo, outras nem tanto. Ele fez um projeto pra um aplicativo que iria substituir o whatsapp por exemplo, conseguiu 150 mil por crowdfunding, mas depois viu que não conseguiria competir quando o whatsapp foi adquirido por bilhões. Eles vão disponibilizar os códigos que criaram como open source.

Acho bonita a capacidade dele de seguir um fluxo. Quanto estava sendo processado pelo piratebay, uma advogada de Hollywood usou o termo “culto” pra se referir ao site e seus usuários. Ele achou interessante e ao invés de ficar irritado, foi pesquisar o assunto e descobriu um monte de questões curiosas sobre religião e as leis. Criou a religião Kopismo, onde os fieis vêem como sagrado o direito de compartilhar arquivos. Sim, ele criou uma religião só de sacanagem. E mais que isso, descobriu que o ato de se confessar é protegido em todo o mundo de qualquer tipo de espionagem (herança da força da igreja). Então definiu que na sua igreja todos os membros são padres, assim toda comunicação entre membros é secreta e protegida por lei. Existem atualmente milhares de fiéis pelo mundo e eles já realizaram até casamentos.

Como ele estava sendo perseguido pela Interpol e outras agências, se candidatou a um cargo político, apenas para ganhar imunidade parlamentar. Teve uma campanha baseada em nada, só imagens dele “seduzindo” a câmera, sem falar uma palavra sobre seu posicionamento político a campanha inteira. Uma forma de mostrar quão desinteressadas as pessoas são com política. Ficou a 700 votos de ser eleito. Mas como perdeu, foi preso e ficou 6 meses numa solitária. Nesse período, escreveu 2 sitcoms e um programa de TV, que ele já vendeu e acho que está produzindo.

Enquanto estava no Piratebay (ele saiu) mantinha uma página com os email que recebiam com ameaças exigindo que o site fosse desativado, e postavam igualmente suas respostas (como avisavam abertamente que fariam), em geral fotos de animais e um texto que terminava com um “go fuck yourselves”.

Acho curioso como muitas coisas que ele faz tem um toque de humor, mesmo que só pra ele, e me relacionei com isso de alguma forma. Me inspira também a seguir o fluxo, o que acho que tenho tentado fazer. Um cara extremamente preocupado com a sociedade, um pensador e visionário, e muito sagaz e criativo na forma que escolhe abordar os problemas que o incomodam.

Pessoas que me inspiram – Lições Aprendidas

Inesperados ganhos e aprendizados ao seguir o desafio de escrever todo dia sobre alguém que me inspira ou inspirou.

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Diga-me com quem andas que direi quem és.

Há alguns dias resolvi escrever sobre as pessoas que me inspiram ou me inspiraram. Autores, empresários, filósofos.. Diversas pessoas me marcaram e tiveram um impacto enorme em quem sou e como penso e atuo no mundo. Houveram, no entanto, alguns ganhos inesperados com esse pequeno exercício. Pude perceber alguns temas e atitudes em comum, pude conhecer um pouco mais de mim mesmo ao ver com quem ando, com quem quero andar e porque andei com fulano ou ciclano num dado período. Pude notar como admiro certas características, e como elas aparecem em ambientes tão extremamente diversos e distantes entre si.

Um padrão que percebi é a capacidade de organizar os pensamentos. Mais do que isso, cada pessoa faz da sua forma, há uma beleza e poesia mesmo na prosa, na escolha das palavras, a perspectiva escolhida pra falar do assunto e tudo o mais. Desde pequeno gosto de entender como as coisas funcionam. Acho que essa é uma forma de organizar meus pensamentos. E sei que gosto de ir até o final, entender o porque do porque do porque. Felizmente tive a sorte de encontrar de diversas formas pessoas que fizeram isso com maestria em tantos campos de meu interesse, e ainda se deram ao trabalho de contar aos outros como foi.

Acho que além de organizar bem os pensamentos, admiro o ato de compartilhar. Seja por meio de livros, podcasts, poemas ou qualquer formato, todas essas pessoas tiveram um impacto em mim pois puderam chegar a mim, e elas chegaram por meio das suas ideias, das suas criações. O ato de se mostrar, se expor é de alguma forma se tornar vulnerável, se abrir. Há quem espere ter certeza de que está fazendo isso de uma forma segura, mas muitos aceitam esses “riscos”. Penso que superar algumas travas no me mostrar aos outros era, e é, algo que valorizo, pois sinto que tenho dificuldades ai. É sempre estimulante ver outros fazendo bem aquilo que você tem medo ou algum desconforto. Certamente me ajudou a enfrentar o meu.

É curiosíssimo como algumas pessoas podem ser tão inteligentes e avançadas num assunto e tão ignorantes em outros. É a falta de uma das coisas mais importantes pra mim: Aprendizado (ou pensamento) lateral. A ideia de que você pode transferir os aprendizados de uma área pra outra. Josh Waitzkin é quem mais fala diretamente sobre isso. Um simples exemplo que ele dá com seu filho, que tentou entrar numa loja por uma porta travada, e depois de não conseguir abrir o pai apenas disse apenas “Dê a volta”. E depois, meio de brincadeira, começou a usar exatamente a mesma frase em outras situações, quando ele estava com dificuldade num joguinho ou com um amigo da escola. “Dê a volta”.

Há diversos conceitos mais genéricos que podem ser extraídos dos exemplos mundanos do nosso dia-a-dia, mas há um impacto maior em algo a que se dedica mais tempo. Se você se interessa por traduções, linguística, estuda isso, lê livros e trabalha nesse meio, um aprendizado dessa área é muito mais forte por ser mais presente na sua vida. Transferi-lo pra outras situações tem um peso maior. Essa habilidade é das mais importantes e das mais negligenciadas. E isso, a falta dela, que permite que pessoas excepcionalmente inteligentes e sagazes numa área sejam ignorantes e mesmo desagradáveis em outras.

Um ganho que não esperava ao começar o desafio e escrever todo dia sobre alguém foi um bom humor, um ar de gratidão, sem ser piegas ou exagerado. Mas rever todo dia como tive a sorte de encontrar o trabalho daquela pessoa, o quanto tive prazer e me ajudou estudar aquele assunto, e como fui privilegiado de poder comprar o livro ou o que fosse, foi bem interessante. Me mostra a abundância de gente boa no que faz, que estou cercado por uma rede e posso sempre encontrar alguém que me permita e ajude a seguir um dado caminho, mesmo que distante fisicamente, as vezes até no tempo.

Percebi que também em geral são pessoas com valores de ética e moral que concordo e valorizo, em alguns casos apenas em parte, mas pessoas que têm uma posição a respeito dos assuntos, e aprenderam a melhor forma de interagir a partir dela. Há também a bondade e generosidade num pano de fundo, e depois as idiossincrasias de cada um, que são sempre divertidas de conhecer.

Fiquei impressionado com o quanto tive “contato” com pessoas que nunca encontrei. Também achei mais fácil escrever sobre pessoas assim, mais distantes. Agora estou pensando em falar de pessoas que me inspiraram com quem convivi, amigos, professores, conhecidos e etc. Seguirei com o meu exercício, vendo pra onde ele me leva. Recomendo fortemente a todos, mesmo que sem divulgar. Sabendo com quem andamos, sabemos melhor quem somos. E você, com quem tem andado?

 

Arnold Schwarzenegger

 

Sempre gostei de filmes de ação, então o Schwarzenegger era uma figura conhecida e admirada de alguma forma. Foi uma surpresa quando soube que ele tava concorrendo a governador da California. Quando ele lançou seu livro autobiográfico “Total Recall” pude conhecer mais e achei bem legal. Certamente há pontos em que discordo, mas o cara é absolutamente dedicado e disciplinado. Tem uma cabeça empreendedora, e realmente conquistou seus sonhos. Quis ser fisiculturista quando esse esporte não era ainda reconhecido, foi campeão mundial várias vezes. Quis ser ator, mesmo tendo um sotaque forte, um nome complicado e um corpo bem fora dos padrões, ainda assim conseguiu usar tudo isso a seu favor e virou uma das grandes celebridades de Hollywood. Se interessou pela política e mesmo tendo nascido na Áustria chegou a ser governador da Califórnia. Foi bem sucedido em diversos empreendimentos, trabalhou com crianças com autismo e me inspira dessas formas todas.

Tenho pensado que há um papel grande na autoconfiança, e é certamente um dos ingredientes mais importantes nas conquistas dele. A decisão dele de trabalhar o corpo me parece ter sido bem fortuita, pois é uma ação que dá um resultado em pouco tempo, você está totalmente no controle dos resultados, todos passam a lidar com você de forma diferente – todos os preconceitos positivos associados a forte, e há uma serie de “vantagens” no sentido de aumentar e fortalecer a autoconfiança que nele acho que já havia uma predisposição.

Independente de todo o resto, é uma pessoa que me inspira pela sua história. Recomendo o livro, é bem interessante, especialmente se você viveu essa época e assistiu aos filmes no cinema e lembra quando foram lançados. Divertido saber o que estava acontecendo nos bastidores.

Foto de Escrevinhanças.

Mario Livio

 

Nunca achei que leria livros sobre matemática com tanto gosto. “Deus é Matemático?”, “A Razão Áurea” e os outros do Mario são simplesmente deliciosos de se ler. A história da matemática é foda e deveria ser ensinada no colégio, não apenas o como, mas o porque. Quando estava na escola alguém devia ter dito que a matemática ainda não acabou, há muitos campos a serem descobertos e muitas perguntas sem respostas. Deviam mostrar o que não sabemos ainda. Achei que fosse assim como português, uma palavra ou outra até pode surgir, mas a língua ta pronta e a gente apenas estuda as regras e etc. Na matemática, há milhares de teoremas não comprovados, hipóteses, há pesquisas a serem feitas, novos campos e tudo o mais, há muito a ser explorado.

Sinto que a matemática sofre de um grande preconceito, e boa parte é culpa de alguns professores, que criam traumas nas crianças. Quantos amigos não escolheram uma faculdade que não tivesse matemática como específica no vestibular? Que pena, pois deixam de conhecer todo um universo interessantíssimo. Mesmo quem não quer entrar de fato, permita-se descobrir a história dela, o impacto de certas descobertas e o contexto onde isso se deu, como a coisa muda sua vida e mesmo a beleza de certas equações.
O Mario me inspira por narrar isso de uma forma extremamente agradável e sem exigir nenhum conhecimento mais específico do leitor (diferente do Edward Frenkel em – Love and Math). Também pela paixão dele e a forma que optou por seguí-la.
Ele mostra como é possível unir seus interesses, e fala sobre arte, sobre história, sobre astrofísica, sobre biologia.. Um ponto de vista que certamente merece uma atenção maior.
Precisamos de mais como ele. Bem mais.

Chico Xavier

 

Achei o filme “Nosso Lar” bem legal. Lembro que vi assim que lançou no cinema, e me despertou um interesse pra algo que já acreditava, mas conhecia pouco, e fui ler o livro. Descobri que era o primeiro de uma linda série do André Luiz, e li todos. Ai fui seguindo, lendo mais livros do Chico e de outros autores, voltando depois pros do Allan Kardec, e até hoje gosto de ler livros espíritas. Descobri no espiritismo uma filosofia com a qual concordo, sem regras, apenas explicando causas e consequências. Nada é imposto ou obrigatório, e ninguém dá certezas de nada, tudo está sujeito a revisões, a correções. E ninguém representa melhor essa doutrina, pra mim, do que o Chico.

Sua história de vida é surreal, e independente das suas crenças há de se admirar a sequência de acontecimentos e decisões dessa pessoa. Seu trabalho como autor, compreendendo que não são seus os livros e doando os direitos autorias, sua constante preocupação com os outros, fazendo tantas caridades quanto se é possível, sendo humilde porém trabalhando constantemente e sendo simplesmente esse exemplo que ele foi. O Chico certamente me inspira muito. Mostrando como há uma felicidade no progresso moral, em fazer o bem e se dedicar de corpo e alma ao que acredita. Sem grandes riquezas materiais, foi uma das pessoas mais ricas que já vi. Também pelos livros, mesmo tendo sido apenas o meio, o medium, ele foi fundamental pra que eles chegassem a nós, a mim, e por isso sou incrivelmente grato.

Um eterno lembrete de que é possível ser melhor, mais calmo, mais bondoso, mesmo frente às maiores adversidades. Já havia escrito sobre ele em outro texto, mas quis fazer esse e ele certamente merece muito mais. É difícil recomendar algum livro dele, todos que li foram tão interessantes, mas acho que iria com “Paulo e Estevão” como recomendação.

Foto de Escrevinhanças.

Wayne Dyer

 

“There is a Spiritual Solution to every Problem” foi um livro muito bom de ler. Meu pai leu ele há um bom tempo, lembro dele comentando algumas partes, e foi legal quando “chegou a minha vez”. O Wayne é um pessoa muito interessante, um autor que fala do mundo imaterial, de uma força maior, gratidão e etc. Há quem exagere e force a barra, mas acho ele fez de uma forma bem centrada. Gostei muito de ler seus livros.

Por um lado entendo que há um grande componente de fé, mas ele consegue falar de uma forma útil e prática, com reflexões interessantes. Ele me inspirou pelos temas e a forma que fala, sobre ser uma pessoa melhor, vibrar numa frequência mais alta, ver que há muito que ainda não compreendemos, mas coisas excepcionais acontecem todos os dias, e a sua própria história de vida é um exemplo. Pra algumas pessoas ele pode falar demais de temas “espirituais”, mas aprendi que há pessoas que pensam de formas diferentes, e se há demanda nessa área fico feliz que o Wayne tenha produzido um material de qualidade.

Achei engraçado lembrar dele também por ser mais um senhor careca, depois do Stephen e do Sebastião, então queria falar logo dele ;D