Indecisão é sinal de conflito interno

Temos muitos desejos e objetivos, e quando eles entram em conflito, travamos. Toda indecisão sinaliza uma falta de direção, de clareza, de priorização.

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Tive outro dia um momento particularmente indeciso. Não conseguia me decidir se queria sair pra comer, ou se ficava em casa, ou se fazia outra coisa. Reparei que no fundo essa indecisão era fruto de objetivos conflitantes em mim, alguns dos quais eu não tinha de forma completamente consciente.

Eu pensava em ir, ai me vinha um motivo pra não ir, depois eu voltava atrás e reconsiderava, ai surgia um novo motivo, e n iterações e variações disso. Percebi que o padrão de pensamentos e motivos eram racionalizações, e no final, eis minha conclusão: Eu estava em conflito pois tinha desejos conflitantes. Eu queria ao mesmo tempo ter o prazer de comer num rodízio de japonês, evitar comer muito ou comidas menos saudáveis (tipo as frituras que eu certamente comeria), evitar gastar dinheiro desnecessariamente e usar meu tempo de forma mais produtiva, pra dizer alguns.

Quando paro pra pensar e vejo todos os meus objetivos, fica evidente que alguns são mutuamente exclusivos. Podem até existir saídas nesse caso, mas o fato é que em geral minha indecisão vem de objetivos conflitantes, especialmente objetivos não completamente conscientes.

Quando eu decido virar vegetariano, por exemplo, torno bem consciente um objetivo. Decido isso e sei que mesmo que isso conflite com outros objetivos (como ter um determinado prazer ao comer), eu escolhi que esse é prioritário, e isso resolve a dúvida. Pode ser desagradável numa situação ou outra, mas não há indecisão. A questão é que temos diversos objetivos não expressos. E quando eles são não-expressos, em geral fica mais difícil de comparar, de priorizar. É como tentar decidir qual apartamento é mais barato sem olhar o preço. Em casos extremos você até acerta, mas em muitos pode errar, e errar feio.

Em geral queremos muitas coisas. Queremos ser bons amigos, nos divertir, economizar, ganhar dinheiro, estudar, emagrecer, ser promovido, etc, etc. A menos que você decida qual a prioridade no momento, como “quero estudar pra passar no concurso. Vou estudar 6 horas por dia, e só depois posso sair com amigos, até o dia da prova”. Pronto, ai acaba a indecisão, o objetivo está claro. Enquanto ele não estiver, a pessoa fica na frente do computador, olhando o evento no facebook da festa, pensando se vale a pena, culpada por não estudar, ai abre o livro, e olha o whatsapp e vê que fulana vai, ai pensa que pode compensar estudando mais no dia seguinte, ai pensa que vai beber e ficar de ressaca e não render, e ainda vai engordar, ai pensa que pode ir e ficar pouco e quase não beber, ai… 

Esse ciclo de indecisão, alternando entre uma opção e outra, pode ser evitado. Deve-se tornar consciente cada objetivo. E vale ressaltar que as vezes temos vergonha de admitir alguns objetivos, mesmo que pra nós mesmos. Tem gente que gosta de ser admirada, e por isso sair super arrumada faz sentido. Ou a pessoa gosta de ser percebida como X (engraçada, beberrona, festeira, bem informada, o que for), e tais ações são coerentes ou não. Se você percebe que tem um objetivo de que não gosta e quer mudar, isso é totalmente possível, mas ainda assim tem que passar pela famosa fase da aceitação, de primeiro reconhecer o que tem, o que é, aceitar, e a partir dai decidir que rumo seguir (seja ele mudar ou não).

Vejo meus momentos de indecisão como indicadores de que ta na hora de parar e olhar com mais calma e profundidade os meus objetivos. Essa foi a minha lição do dia, e eu gostei dela ;D