Sobre minha parede de adesivos

 

Antes mesmo de mudar pra casa que eu finalmente teria o meu quarto, e não mais que dividir um com a minha irmã, eu já colecionava adesivos, pensando em ter um canto com eles em algum lugar. Tinha 12 anos quando mudei, e essa primeira foto deve ser do primeiro ou segundo ano na casa. A segunda foto foi agora em 2018, logo que me mudei. Meu objetivo de cobrir completamente a parede desse espaço foi cumprido.

Esse foi como que um projeto artístico e bem pessoal que me acompanhou desde cedo. Eu não fiz com o objetivo de mostrar a ninguém, meu quarto sempre foi um espaço bem meu. Eu achava isso legal, queria pra mim. Eu não sabia como ia juntar tantos adesivos. Minha fonte inicial eram adesivos de cadernos e agendas (eu tinha 12 anos), e eventualmente um que vinha quando comprava uma roupa. Mas eu nunca comprei roupa o suficiente pra ganhar tanto adesivo, e sabia que os do caderno não iam bastar, mas também nunca tive pressa com isso. Só foi acontecendo. Na real, eu até hoje me impressiono com como tem lugar que dá adesivo. Uns poucos eu comprei, tipo uns 5, o resto todo foi dado. Eles iam aparecendo em diversos lugares, e eu ia colando na parede.

Depois de encher ela quase toda, a regra pra decidir onde colar um novo adesivo era ser em cima de um outro que estivesse soltando. Muitos adesivos com o tempo ficam com uma “orelha”, um pedacinho começando a soltar. Então eu colava outro adesivo em cima, e assim a coisa foi se montando. Tinha também uma decisão estética de onde eu queria aquele desenho. Tenho orgulho da minha parede de adesivos. Um orgulho tímido, nunca pensei muito nela sob essa ótica, mas agora que saí de casa, percebi que foi um projeto interessante.

Acho que posso reconhecer todas as minhas fases de vida nesses adesivos. Tem adesivo de viagens, de amigos, de amores, tem da época do vestibular, da faculdade, adesivo que caiu, adesivo repetido, de banda de amigo, de banda que nem conheço, de empresas que trabalhei, de empresa cliente, de comida que pedi em casa, de festas que fui, de caderno de outras pessoas, de álbum de figurinha, de eventos, de coisas que comprei.. Alguns que eu olhava mais do que outros, quando estava estudando, ou trabalhando, ou o que fosse. Ganhar ou achar um adesivo sempre foi pra mim uma felicidade. Bem pequena, bem boba, mas se eu ia numa festa ou num lugar e ganhava um adesivo, já sabia que ia curtir chegar em casa e escolher onde colar.

Se alguém me perguntar, eu sei dizer exatamente a história de cada adesivo ali. Isso é bem curioso de perceber sobre mim mesmo, pra dizer a verdade.

Agora essa fase mudou. Eu saí de casa, to morando em botafogo, dividindo o apartamento com dois grandes amigos. Não sei se vou recomeçar esse hábito. Talvez mais pra frente, ou talvez não, posso fechar com ele esse ciclo da minha vida.

Por um lado eu diria que quando comecei não fazia ideia que essa brincadeira iria durar tanto tempo, mas por outro, eu desejei ter essa parede toda preenchida, sem pensar muito no trabalho que daria ou no tempo que levaria. No fundo, nunca foquei no objetivo final, eu nem pensava muito nele, só gostava de ir colando cada adesivo e ver, a cada momento, como ficava.

Hoje eu, assim como o Julinho da Van do Choque de Cultura, falo com tranquilidade: Ficou legal. Gostei muito do processo, e agora gosto muito do resultado final.

É só isso. ;D

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