A camisa pra festa e a camisa pra padaria

ou como eu parei de me importar com o que os outros pensam

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Quando era mais novo eu tinha dois tipos de camisas: pra ir pra festa e pra ir pra padaria. Até que eu vi um cara numa festa com a camisa que eu só usava pra ir na padaria. E ele tava lá de boa, conversando com uma galera; todos alheios ao gritante fato de que ele estava claramente com uma camisa de ir na padaria. E pouco depois eu fui na padaria, e pasmem, vi um cara com uma camisa idêntica a que eu reservava à melhor festa.

Isso me fez pensar. No final eu cheguei a conclusão que me preocupar com o que os outros pensam de mim, em geral, não faz sentido. O medo era que alguém achasse que eu sou algo que não sou. Percebi que só tinha duas opções, ou a pessoa vai me ver e achar que sou o que sou, o que sou o que não sou. Ou ela vai estar certa, ou errada. Em ambos os casos, não há nada que eu possa fazer. A opinião é dela, e da maioria eu nem fico sabendo.

Se alguém está achando algo pelo meu visual, ou por qualquer outro motivo na real, ou eu realmente sou isso (ou estou sendo no momento) ou a pessoa se enganou. Isso era muito mais um indicativo da minha segurança quanto ao que sou (ou acho que sou, ou gostaria de ser). Se tinha medo de alguém me achar burro, é que eu não estava confiante da minha inteligência. Nunca tive medo de alguém achar que eu não fosse brasileiro. Alguém até podia achar, mas ia iria apenas rir e dizer que de fato sou do Brasil. Simples assim.

É uma ameaça que nos fazem desde cedo, “não faça isso ou vão achar que você é assim”. Somos adestrados a temer o que pensam sobre nós. Queria ir ao cinema de chinelo com uma amiga, mas pensei que ela poderia me achar desleixado. Depois percebi que eu de fato estava sendo um pouco desleixado mesmo, e que não achava isso um problema. Não acho que sou desleixado o tempo todo, e se for e isso vier a ser um problema posso mudar também, não é uma grande questão pra mim.

O pior são os jogos mentais. Você deixa de fazer algo pensando que isso daria tal impressão ao outro, por exemplo, a menina não transa na primeira noite, apesar de querer, achando que ele pensaria que ela é fácil e, então, perderia o interesse. Assim eles terminam a noite com um beijo apenas. Só que ele não pensa como ela previu. Ele achou que ela estava interessada num primeiro momento, mas quando viu que ela quis ir embora pra casa começou a duvidar disso, e decidiu que havia lido os sinais errado, e entendeu que ela não queria nada com ele. Parou de ir atrás, perdeu o interesse, e ela não podia ligar logo pra não parecer fácil, e, passado os dias, quando ligou, já era tarde demais. Deixaram de viver algo pois ficaram pensando no que o outro pensaria, e erraram.

O ser humano inventou uma forma incrível de leitura de mente, que nos permite saber o que o outro está pensando. Não é leitura corporal ou de micro-expressões faciais, é a linguagem. Você pode virar pra pessoa e perguntar como ela se sente em relação a isso ou aquilo, e ela vai e te responde. É claro que existe a possibilidade da mentira, mas ainda assim pelo menos você deu a chance da pessoa te falar, de ter uma opinião baseada em fatos. Senão fica tentando decifrar cada olhar e ação e acaba vendo chifre em cabeça de bode, vendo coisa onde não tem, ou não vendo onde tem. Falo por experiência própria.

Hoje em dia busco ser autêntico e honesto. Recebo o que os outros pensam de mim (o que me chega, ao menos) como um feedback. Parte me serve como informação nova, e busco mudar algo ou apenas saber que causo esse impacto. Outra parte (muitas vezes o como foi dito) me diz mais de quem falou do que sobre mim. No final, me reservo o direito de errar, de mudar de opinião e de atitude. Assim toda crítica é construtiva.

É como diz o ditado (no original): “those that mind don’t matter, and those that matter don’t mind.” – Os que se importam não se incomodam, e os que se incomodam não importam.

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