Foco em mim ou nos outros? V2

Quis experimentar uma forma de escrita que alguns autores que admiro usam (primeiro fazer um rascunho, depois dali retirar o que não cabe e polir e aprofundar onde precisa), e resolvi editar e basicamente rescrever um texto. O primeiro fiz na íntegra sem pensar muito, sai escrevendo, depois mudei talvez duas palavras, meio que de improviso, só pra colocar pra fora o que eu estava pensando. O segundo eu fiz com mais calma, tirando uns pedaços e vendo outras formas de falar outros.

Acontece que no final quando reli os dois não ficou evidente que o segundo estava melhor que o primeiro (como eu esperava). Ficaram certamente diferentes, mas essa dúvida me deu a ideia de perguntar a vocês. É bem verdade que o número de leitores aqui ainda é bem pequeno, mas não custa nada tentar né?

Queria realmente saber a opinião sobre os textos. A real é que é muito mais fácil pra mim fazer o primeiro, consome menos tempo e já nasce quase pronto. Tem um lado interessante também em escrever e reescrever, mas acho que sou a pior pessoa pra julgar meus próprios textos, pois sou completamente parcial.

Segue aqui a Versão Editada

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Uma vez li um livro onde o autor (Sri Yukteswar) falava, dentre outras coisas, das condições ideais de se viver. Falou de alimentação, de hábitos, e na parte de onde morar falou sobre o silêncio, a proximidade da natureza, a importância de um ar limpo. Especificamente essa parte me fez refletir quando, mais tarde, li uma lista das cidades com pior qualidade do ar, e lá estava Calcutá. Achei curioso pois me remeteu a Madre Teresa, e fiquei pensando o quanto não foi importante ela ter vivido lá, mesmo que soubesse da perda de qualidade de vida que tinha ao viver num local poluído e com tantos outros limitantes.

Será que ela deveria ter morado em outro lugar? Será que perdeu anos de vida por viver num lugar assim, e com esse anos a mais poderia ter ajudado mais pessoas? Ou o mais importante foi estar no “olho do furacão”, e ajudar mais intensamente, de forma mais presente mesmo que as custas de alguns anos? (o estudo estimava quantos anos perdemos em expectativa de vida de acordo com a poluição e outros fatores. Mesmo que não seja simples assim, ou não se aplique, serviu como estímulo pra pensar na questão)

Acho que há um equilíbrio entre o foco em mim e nos outros. Não sei ainda qual o certo, e acho particularmente difícil julgar em diversas situações. No extremo do foco no indivíduo temos toda uma indústria que alimenta isso. Propagandas de academias, melhore o seu corpo, de comidas saudáveis, o clássico panfleto com a família sorridente, mansão ao fundo e o golden retriever no jardim. O foco no eu, em criar uma pequena ilha de felicidade, pra mim, minha família e meus amigos. Nossa sociedade e cultura tem dado um peso maior a esse na minha opinião. No outro extremo está o sacrifício ao outro, doar tudo, servir constantemente e abdicar a todo o resto.

O equilíbrio está em algum ponto intermediário. Mas chegar nele não me parece fácil. Se tivermos os dois objetivos em mente, ficamos como o jumento da história, que é colocado a meio caminho da comida e da água. Ele fica olhando de um pro outro, pois tem sede e fome, e como não consegue se decidir por nenhum, acaba morrendo parado no mesmo local, com fome e com sede. Acho que o segredo está na capacidade de mudar de estratégia, de mudar de foco. Ir pra um, depois pro outro.

Num momento, devemos nos melhorar, ter o foco em nós. Quando mais capaz eu sou, mais forte, mais eficiente, inteligente, rico ou o que for, mais consigo ajudar os outros. O perigo é me perder nos prazeres da conquista, e começar a racionalizar fechando os olhos ao motivo real. O outro extremo também tem seus perigos, quando a pessoa desvaloriza demais sua individualidade, se perde e se entrega ao grupo, ajuda a todo mundo menos um, ela. Começa a se sacrificar desnecessariamente, vai além da conta. Por isso acho que o equilíbrio está entre os extremos, e temos a aprender com os dois focos.

O desafio é saber quando mudar de estratégia.

Um jornalista investigativo por exemplo, enquanto conduz a pesquisa tem que estar aberto, conversando com pessoas, indo a lugares e etc. Terminada essa fase ele entra no modo de escrita, de reunir e editar o material. Precisa de isolamento e concentração. Existem pessoas que têm sucesso com um modelo de agir e se prendem a ele, como o bom aluno que colheu os frutos de fazer o que o professor manda e tirar boas notas, que depois não sabe ou não quer sair da zona de conforto quando a situação pede outra abordagem.

Agora, quando que devemos mudar? Como julgar isso? Em que momento sei que estou gastando tempo demais comigo, que exagerei aqui e devo me concentrar mais nos outros? Ou como sei que estou com mais vontade de ajudar do que capacidade, e preciso voltar e me aprimorar de forma a ser mais útil?

Infelizmente não tenho essas respostas. São questões nas quais tenho pensado, apenas isso.

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