Foco em mim ou nos outros? V1 (rascunho)

Já pensei bastante sobre minha saúde, condições de vida ideal, quais escolhas maximizam o meu prazer e minimizam as minhas dores. Praticar esportes, uma boa alimentação, um emprego no que sou apaixonado com um retorno financeiro bom, vida social ativa e tudo o mais. Li um livro onde um guru falava sobre as condições ótimas de se viver, idealmente um lugar silencioso, perto de florestas ou matas, ar limpo, espaço pra isso e aquilo. Achei bem interessante, e depois numa aula li uma lista das piores cidades pra se viver em termos de poluição, e lá estava Calcutá. Que me remeteu a Madre Tereza de Calcutá. Mesmo se você não ache que ela teve uma vida útil, imagine pelo exercício apenas. Se a única forma dela viver sua vida como foi, de ter o impacto que teve e ajudar todas aquelas pessoas foi nascendo em Calcutá, e pela poluição e as condições desfavoráveis ela viveu menos do que podia e com menos conforto, ainda assim acho que foi melhor.

Quer dizer, é um tipo de sacrifício talvez, ou simplesmente outra forma de pensar. Podemos sim buscar as condições que são as ideias para nosso corpo e mente, e com isso em foco buscar fazer o maior bem possível. Mas há quem troque e pense primeiro em fazer o maior bem possível, mesmo que isso venha a ferir essas condições.

Acho que na prática não estamos decidindo entra a vida de um hedonista milionário nem do salvador do mundo, então não precisamos ser tão dramáticos. Se possível vou buscar as melhores condições pra mim, mas sempre tendo em mente pra que quero estar vivo e bem. Sim, pra ter experiências prazerosas, mas também é interessante pensar em algo maior. E não precisa ser do campo do divino ou imaginário, pensar na humanidade, na sociedade, num grupo de pessoas ou empresa já é algo maior. Há um equilíbrio a se buscar entre o foco no eu e o foco no outro, ou nos outros (que podem ter n categorias: os pobres, as crianças, as minorias, os analfabetos, os famintos, os.. as…)

É interessante alternar o foco de vez em quando. Acho que é em parte pra isso que vivemos. Nosso dia-a-dia e cultura puxam mais a balança pro lado do ‘eu’ em geral. Vamos a academia melhorar o nosso corpo, pensamos no que a empresa faz por nós, as propagandas e anúncios focam em você, sua família, suas coisas. É importante voltar o pensamento pra quais sacrifícios valem a pena fazer.

As vezes é importante mudar de estratégia. Tem hora que o foco tem que ser em você. Entra no modo “conquistar o objetivo”, se isola, faz teu projeto, se dedica 100% e tudo o mais. Mas uma vez conquistado isso, vale mudar de estratégia. As vezes o que te levou até lá não te leva mais adiante, cabe repensar. Quando se está no processo de conquista amorosa, cabe um flerte, brincadeira e as vezes jogos, mas uma vez que um relacionamento sério começa, deve-se mudar de atitude, os jogos e os silêncios misteriosos dão lugar a conversas honestas e profundas, que permitem uma cumplicidade e novos níveis de intimidade. Pode até haver flertes e jogos de sedução, mas são diferentes. O ponto é não ficar preso numa forma de se fazer as coisas, especialmente se ela deu certo. Tendemos a querer repetir as ações que deram certo, e em muitos casos nos pegamos tentando martelar um parafuso. Ajuste suas atitudes de acordo com a situação. Tudo muda o tempo todo, então você também deve.

As vezes penso em qual seria o estilo de vida ideal. Num primeiro momento penso em tudo o que quero pra mim. Uma casa confortável, um carro, algumas viagens, comida boa, assistir a peças e filmes, livros e etc. Logo entra a vida social, praticar os esportes que gosto, sair com amigos, me reunir com eles com frequência e tal. E o trabalho, sim, fazer algo que gosto, onde posso me desenvolver e ter um bom impacto no mundo.

E o sacrifício? Sei que dormir bem é importante, mas se preciso virar a noite e ir sem dormir dar aulas no dia seguinte, e realmente acredito que cada aula é importante e uma oportunidade de tocar a vida dos alunos, vale o sacrifício? Se sim, até quando? Não posso me queimar, me destruir no processo, mas há um equilíbrio a ser alcançado, e estava apenas refletindo sobre isso.

Quando vale a pena ficar um mês me alimentando mal pra estar disponível a uma turma de alunos de tal lugar? Qual o impacto disso na minha saúde versus o impacto disso naquela pessoas? Como comparar isso?

Dois pesos, duas medidas? Realmente não sei..

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