Sobre o medo

Há quem acredite que o oposto do medo é coragem. O oposto de coragem é covardia. Medo é outra coisa. Ser corajoso é fazer aquilo de que se tem medo. Mas não significa não o ter. Ser covarde é sucumbir a ele.
O medo é natural e neutro, como tudo mais. Nem bom nem ruim. Mas pode ser mal utilizado, e quando se peca pelo excesso ou pela falta se paga o preço, e em geral a moeda é o sofrimento.
O medo é um sinal do seu corpo pra ficar atento. “Se liga, tem um cobra ali”, “Opa, fogo perto demais, vai queimar”, etc.
Talvez eu esteja confundindo medo com receio, ou um seja o outro intensificado. Fato é que há uma forma de conviver bem com ele. Em geral pecamos pelo excesso. Mark Twain disse “Eu tive muitas preocupações na minha vida. Muitas das quais nunca aconteceram.” Vivemos em nossas mentes, e se nessa morada habita o medo, que gera ansiedade, stress e toda uma sorte de emoções, sua vida se torna intragável. Já me disseram que o oposto do medo é amor. Pode ser um pouco piegas, mas acho que é por ai mesmo.

Não me considero uma pessoa particularmente medrosa. Frente a média, sei que tenho poucos dos medos clássicos. Nunca me incomodei com falar em público, altura apenas me atrai, me divirto demais com turbulência num vôo e me sinto confortável frente ao desconhecido. As vezes apreensivo, sim, mas raramente com medo mesmo. Se vejo uma cobra ou aranha tenho um medo saudável, mas se sei que não são venenosas fico tranquilo.

A maior mudança na minha relação com o medo veio como resultado da gestão karmica.
A partir do momento em que entendi que eu crio a minha realidade, que minhas ações, pensamentos e palavras geram tudo que vêm a mim, minha relação com o medo mudou radicalmente. Sei que se agi agressivamente no passado irei colher isso. E sei que tenho feito um grande esforço pra retirar isso da minha vida. Evitar todo tipo de agressão, todo tipo de violência. Ainda estou longe de conseguir, mas onde estou me permite crer que não serei vitima de nada grave. Eu colho o que planto. Se plantei vou colher, e se não, não. Respeito muito as coisas dos outros, assim não espero que nada me seja tomado contra minha vontade. Ando nas ruas à noite falando no celular sem stress, vou a qualquer lugar despreocupadamente e nem considero ser assaltado ou algo assim. Pode acontecer? Lógico, e também não chego ao ponto de ser imprudente, mas o que pra mim é bom senso pra outro pode ser um absurdo, tudo é relativo. E entendo perfeitamente que minha postura pode não servir aos outros. Eu optei por nunca pagar flanelinhas, e paro o carro em qualquer lugar assim, mas entendo os riscos e as consequências dos meus atos. Até hoje nada aconteceu, mas se algum dia acontecer vou lidar com o que for.

O medo é saudável como sinal. Se tenho medo de não ser bom o suficiente no meu emprego devo me mexer. Se o medo me levou a ter esse pensamento ele foi positivo até ai. A partir do momento que começo a fazer cursos, buscar me aprimorar e me dedico mais, o medo deve sumir ou se transformar num neutro ponto de atenção. O Santos Dumont é o pior aeroporto pra se pousar segundo os pilotos. A pista é pequena e cercada pelo mar. No entanto, a taxa de acidentes dele é a menor.
O perigo é quando o medo toma conta, corre solto e te impede de viver a vida que deseja. Pior ainda é o medo irracional. Como famílias que pegam aviões separados com medo de uma queda, mas ao chegarem no aeroporto dividem a mesma van pra casa na praia. Estatisticamente as chances de um acidente fatal de van são muito maiores que no avião, e essa familia agiu em cima de um medo irracionalmente.

Devemos cuidar do que consumimos, de tudo que entra no nosso corpo. Em termos de alimentos estamos bem servidos, o volume e a qualidade das informações e especialistas sobre o tema é mais do que suficiente. Em termos de informações e notícias, nem tanto. Muitas pessoas consomem o equivalente a junk food, e em alguns casos venenos mesmo, com o que lêem e assistem. A desgraça vende, e onde a demanda há oferta. Há uma necessidade de se manter informado, e sei que nesse caso estou fora da curva no meu desinteresse, mas assim como com o corpo, acho incrivelmente importante pesar o que estamos consumindo, qual a fonte e porque? E tal qual o corpo, há um feedback evidente. Se estou engordando ou emagrecendo posso rever minha alimentação. O mesmo vale pro intelecto. No que tenho pensado, com o que tenho me preocupado?

Seu cérebro é como um castelo, uma mansão riquíssima e você recebe quem quiser. O que os hóspedes produzem é seu. Se receber artistas, pintores, cientistas e comediantes você fica com tudo o que fizerem. Mas o mesmo vale pra receber ladrões, degenerados e pedófilos. Se destruírem a casa você paga a reforma ou fica com ela quebrada, mas se melhorarem tudo o lucro é todo seu. E há um custo de oportunidade. Alguns hóspedes não se dão bem com outros, e receber um significa expulsar outros. Os hóspedes são pensamentos, crenças, e o resultado em geral é seu estado de espírito num curto prazo, suas ações e comportamentos e até hábitos no longo. Quem tem morado sem pagar aluguel ai dentro? Quem você gostaria de receber mais vezes?

Atualmente minha dieta mental vêm de algumas fontes: Podcasts – criei o hábito de ouvir alguns. Recomendo o “The Tim Ferriss Show”; “Waking Up – Sam Harris”, “Hardcore History – Dan Carlin”, “Michael Sandel: Public Philosopher”. São meus favoritos. Palestras: Assisto algumas por semana. No TED encontro sempre uma boa variedade, mas busco também por fora, por autor ou por tema (youtube e vimeo). Ver uns 3 TED por semana já é um hábito. Livros: aqui a lista é longa, mas é outro hábito saudável, ler todo dia, nem que seja só um capítulo do livro. Pra artigos leio o site “Big Think” e sigo alguns blogs, como o “Tynan” e o “mundo das marcas”.
Fora isso adoro ter conversas profundas e evito fofocas ou reclamar. Fiz um desafio uma vez de ficar 30 dias sem reclamar. Tenho tentado manter isso como padrão. Uma coisa é ressaltar um problema, como o mal atendimento de um lugar, visando entender sua causa e pelo menos pensar uma solução. Outra é xingar mentalmente a moça do caixa e ficar por isso mesmo.
São mudanças pequenas, mas tenho percebido uma diferença considerável no meu estado de espírito em geral.

Acho que divaguei, mas é isso que penso sobre o medo. Ele pode ser útil, devemos prestar atenção à sua mensagem e tomar alguma atitude. E pronto, a partir dai ele não mais deve te incomodar. Se está tendo mais dele do que gostaria, reveja seus hábitos. O que consome? O que lê, quando e quanto, sobre o que fala, sobre o que pensa?
Se é coragem que quer, comece com pouco. Pequenos atos, sair um pouquinho da zona de conforto, correr riscos controlados. Com o tempo você vai ganhando confiança, sabe como é enfrentar um medo e isso vai virando cada vez mais comum.

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Desafio “Um Texto por Pessoa”, A Steffi pediu pra eu falar sobre o medo. Acho que divaguei e não segui a melhor linha de raciocínio, mas tenho buscado escrever sem editar aqui. É parte do exercício, e sei que têm muito a ser polido e reescrito, mas por enquanto essa versão mais crua é o que ofereço. Até porque um medo meu é o de ser julgado como mal escritor por exemplo. Assim o natural seria evitar postar textos, com medo das críticas, mas decidi passar por cima dele e me mostrar com os defeitos e falhas que tenho. Por enquanto é assim que eu escrevo. Espero melhorar.

A foto foi no festival Rock the Mountain, em Itaipava. O medo de saltar de cabeça foi delicioso de curtir.

Foto de Escrevinhanças.
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