Obsolescência dos Mouse Pads

Vi certa vez um documentário sobre obsolescência programada. Como eletrodomésticos e lâmpadas poderiam durar mais, mas são conscientemente produzidos de forma a quebrar após um determinado tempo, fomentando assim um consumo continuado que aquece a economia e mantém a roda girando.

No caso dos Mouse Pads acho que a teoria da conspiração é mais leviana. Ele pura e simplesmente viraram obsoletos. O motivo da sua existência era garantir a superfície ideal para a rolagem da bolinha que controla o cursor do mouse. Com o mouse óptico, o Mouse Pad vai perdendo seu valor, sua necessidade, e vira mais um item na lista “cedo demais pra ser vintage, tarde demais pra ser útil”.

Por um lado é triste ver a morte prematura desse produto com tanto potencial. O mouse pad, aquele tapetinho de yoga do seu mouse, dos mais simples que vinham de brinde aos mais rebuscados, com apoio pra mão acolchoado e outros gueri-gueris. Acho curioso como uma pequena necessidade pode gerar tantas mudanças. No inicio era apenas uma forma mais intuitiva de interagir com o software. A solução aparece, e depende de uma pequena esfera que gira sensores com referências nos eixos horizontal e vertical, resultando em tudo que se pode fazer num plano de duas dimensões. Mas a esfera trava se a superfície não for homogênea e com a aderência certa. Daí nasce toda uma indústria, ou pelo menos um nicho, que provavelmente sustentou famílias e empresas por um bom tempo. Designers vieram com novidades, desenhos, fotos, formatos, materiais diferentes. Um universo novo a ser explorado, tudo na aba de um movimento que popularizou o computador pessoal.

A era de ouro dos mouse pads teve seu ápice, mas logo sua morte foi anunciada. Uma novidade, o futuro chegara cedo demais. O sensor óptico era mais eficiente e um pouco mais caro, mas nada que uma produção em escala não viesse a resolver. Não adiantava gritar, chorar nem espernear. Alguns tentaram ignorar o óbvio, se iludir pensando que o mercado continuaria a existir, mas realidade é que o fim estava próximo. Sem a função principal que depende da fragilidade da bolinha, o mouse pad deixa de ter sentido. Sua estética era um a mais, não o core, e pode ser encontrada em outros produtos. Eu uso uma revista pra apoiar o mouse no momento. Mouse pads ainda são vendidos, sim, mas o mercado é hoje uma sombra do que já foi.

Talvez tenhamos aqui uma boa lição sobre a mudança. Tudo muda, tudo. Diz-se ser a mudança a única constante do universo. O cientista é aquele que busca encontrar a verdade a partir dos fatos, da observação da realidade. Um olhar mais atento ao trajeto dos mouse pads na nossa sociedade e grandes insights podem ser aprendidos. Nada é pra sempre. Pequenas mudanças geram grandes consequências. A inovação cobra seu preço e as vezes menos é mais. A morte ou fim se anunciam aos que estão atentos aos sinais, e há sempre tempo de se reorganizar. Soluções simples oferecem grandes oportunidades. A não aceitação da realidade nunca é uma boa escolha. Mesmo com um bolo diminuindo ainda existem fatias a se retirar. E tantas outras.
Se tudo está conectado, so há de fato uma coisa a se compreender.

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A Obsolescência dos mouse pads, desafio do Pedro Cunha.
“Um Texto por Pessoa”.
A foto é de um site com as 100 melhores fotos sem photoshop, e achei que de alguma forma encaixava no tema. ;D

Foto de Escrevinhanças.
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