Muhammad Yunus

Muhammad Yunus mudou consideravelmente minha noção de pobreza, suas raízes e soluções. Meu pai que me indicou seu primeiro livro “O Banqueiro dos Pobres”. Tudo começa quando ele volta pra Bangladesh assim que o país consegue sua independência e começa um pequeno experimento de microcrédito. A coisa cresce e se desenvolve, ele chegou a receber o prêmio Nobel da paz e tudo o mais. A história é impressionante em tantos aspectos que prefiro não dar spoiler, mas a humildade, simplicidade e praticidade dele já conquistam muito da minha admiração. A grande sacada dele, na minha opinião, são duas.

1 – os pobres, em sua maioria, não são pobres por serem preguiçosos ou ignorantes. Isso é fundamental. Não quer dizer que não haja infinitos pontos de melhoria e que a pobreza não tenha seu peso ai, que a falta de educação não seja um problema gigantesco ou algo assim, mas é um premissa fundamental que muda completamente a forma que os ricos costumam estruturar a ajuda.
2 – os pobres em sua maioria não têm acesso às estruturas do capitalismo: empréstimos em bancos por exemplo.

Essas duas somadas explicam sua abordagem e a diferença pra todas as outras que eu já tinha ouvido falar. Como em geral somos cegos a essa exclusão, partimos da premissa oposta. De que quem é pobre o é por falta de conhecimento, e todas as formas de ajuda contém etapas de treinamentos. Nós, os ricos bem intencionados, montamos um projeto de ajuda, levamos treinamentos e empregos. Ensinamos eles a fazerem algo que pensamos ser uma boa opção (artesanato, uma cooperativa de costura, etc) e criamos as regras pra isso. Depois nos surpreendemos com a grande taxa de evasão e de sucesso real. E eu, mesmo que inconscientemente, pensava um pouco assim também. Sempre que pensava o que poderia fazer pra ajudar, era algo nessa linha, como se o fardo de pensar estivesse comigo, cabendo aos pobres apenas a execução, a parte que não precisa de muita engenhosidade nem ter grandes ideias, ou quanto têm, é dentro de um sistema que eu criei. A boa intensão é evidente, e óbvio que todas essas iniciativas têm valor, mas o Yunus pra mim foi revolucionário ao abrir minha cabeça pra outras possibilidades.

Se suas premissas estivessem corretas, tudo que ele precisava fazer era incluir os pobres no sistema bancário, pra começar. Daí o microcrédito. Ele simplesmente emprestava dinheiro, emprestava, não doava. As pessoas tinham que decidir o que fazer, como, quando e pagar de volta. A pessoa tem autonomia e responsabilidade. Não tem ninguém tomando conta ou ajudando.
A forma de empréstimo era bem diferente de um banco comum, sem praticamente nenhuma burocracia, sem hipotecas ou fiadores (afinal, todos ali eram pobres e desprovido de tais bens). O grande trabalho foi redesenhar ou repensar o ato de emprestar dinheiro pra essas pessoas. A história mostra o resultado, milhões de pessoas sendo retiradas da pobreza, um estímulo à independência e proatividade e tanta coisa legal.

Admiro muito o Muhammad não só pela percepção, mas pelo trabalho duro ao longo de tantos anos, por colocar a mão na massa, por buscar ajudar constantemente, por não se aproveitar quando pode (ele fez o banco ser propriedade dos correntistas, os pobres, que recebem e dividem seus lucros e etc) e pelo foco em um assunto tão presente e dos mais importantes que existem – erradicar a pobreza. Tem muito mais a falar dele e do tema, mas deixo aqui o link pro livro, pois seria impossível fazer jus a sua história por aqui. (Ele define pobre quem vive com menos de 2 dollares por dia)

 

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