A Crítica. À Crítica

Um texto escrito no período das manifestações e que, infelizmente, continua atual.

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Criticamos a mídia por ser parcial e manipuladora, os políticos por serem corruptos, a polícia por ser violenta, os empresários por serem inescrupulosos. Quem consome o que a mídia produz? Quem vota nos políticos? Quem vive numa sociedade de mercado?

Tudo que nos incomoda são frutos de um sistema, são sintomas de uma causa. O governo são pessoas. A polícia são pessoas. A mídia são pessoas. Qualquer grupo é formado de indivíduos, cada um único e muito mais do que seu grupo, sua generalização. Um policial pode ser o brutamonte que ataca sem pena, mas como ele veio a existir? Nasceu assim, um ser de pura ignorância e maldade? O político que rouba brotou do chão corrupto?

Cada pessoa é um ser completo, com qualidades e defeitos, medos, ansiedades, sonhos. Só porque um defeito está alí, no seu caminho, não quer dizer que a pessoa seja aquilo. Deixar de ver a complexidade do outro, simplificando-o, vendo-o apenas como pertencente a um grupo com ideias opostas, é roubar sua identidade, é roubar sua humanidade.

Eu quero lutar por um Rio melhor, um Brasil melhor, um mundo melhor, mas enquanto apontamos os dedos para governadores, presidentes, deputados, policiais, jornalistas (que precisam, sim, ser apontados) não posso esquecer das causas que os criaram, do ambiente que permitiu (e, às vezes, até estimulou) que eles existissem. E essas causas também existem em mim. Eu faço parte desse sistema, querendo ou não, e tudo que há lá, há cá. A escala muda, mas quem nunca deu uma propina, mentiu pra obter uma vantagem, foi agressivo além do necessário?

É aí que está a semente do sintoma, a causa, que plantada num solo fértil, dá frutos. “Ah, mas o que eu faço é tão pouco, tão pequeno, nem dá pra comparar”. A semente é pequena mesmo, e cresce devagar.

De todos os males que reparamos lá fora, de todos os erros que apontamos, façamos isso, mas lembremos que alguns estão mais perto do que parece, logo ali no espelho. Nada fala mais alto que o exemplo.

 

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